Archive for agosto, 2010

Prof. Dr. Thomas A. Bauer

terça-feira, agosto 31st, 2010

Entre hoje (31 de agosto) e 14 de setembro, o Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia (CISC), com o apoio da Fapesp, recebe o Prof. Dr. Thomas A. Bauer, do Departamento de Comunicação da Universidade de Viena, para uma série de eventos inter-institucionais.

Confira logo mais abaixo a programação das conferências (gratuitas).

Thomas Bauer é professor doutor da cadeira de Mídia Audiovisual, no Departamento de Mídia da Universidade de Viena, membro da Associação Austríaca de Ciências da Comunicação e membro da Associação Alemã de Ciências da Comunicação, pesquisador da European Research and Development Projects (ECN, ENCE, EUROMEDIA, PEGASUS).

Links para artigos de Thomas Bauer:

Artigo: Sociedade da Informação: desafios e riscos para os discursos
públicos da sociedade

Artigo: The City as Media: The Signatures of Order and the Scopes of Real
Life

Editorial e artigo na revista De Scripto. Dossiê sobre Media Literacy. O título
do artigo é: Understanding Media. Media Literacy as Key Competence. Aqui

Programação:

31.8. 2010 – Faculdade Cásper Libero – São Paulo
19:30 – 21:00 Conferência: Media Competence as a Public Value – New Perspectives of Conceptualization of Media Literacy
(Avenida Paulista, 900. Quinto andar. Sala Aloísio Biondi)
Organização: Programa de Mestrado em Comunicação. Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura do Ouvir -  Apoio: Centro de Eventos.
Inscrições: Envie seu nome, RG, telefone e instituição que representa para eventos@casperliberoedu.br e aguarde o e-mail confirmando sua participação.

9.9. 2010 – PUC – São Paulo
Programa de Comunicação e Semiótica – prédio Bandeira de Melo, 4º. Andar –  Organização – CISC
14:00 -16:00 Conferência: The Mediatization of Social Practice: Mediality as a Quality of Life

10.9. 2010 – UNIP – São Paulo
R. Dr. Bacelar, 1212 – 4º. Andar – Sala 401
Mestrado em Comunicação e Cultura Midiática – tel. 55864120 – Organização – Grupo de Pesquisa em Mídia e Cultura
10:30 – 12:30 Conferência: Media Society and Social Change: Media as Dispositiv of Societal Development

14. 9. 2010  – UNESP – Bauru
Mestrado em Comunicação – Organização Prof. Luciano Guimarães (coordenação do curso)
14:00 – 16:00 Conferência: Media Diversity as a Mirror of Societal
Diversity: Concepts  of Social Integration through Media Participation

Entrevista – Profa. Dra. Marcia Tondato

terça-feira, agosto 31st, 2010

Ouça a entrevista concedida pela Profa. Dra. Marcia Perencin Tondato (PPGCOM ESPM).

A professora e pesquisadora relata um pouco de sua trajetória de estudos, que passa pelas questões da violência e também da telenovela.

Seu foco atualmente são as relações consumo, ficção e classes populares. E isso se desdobra, por exemplo, em pesquisas que buscam ao mesmo tempo as representações da mulher na publicidade e como as mulheres de níveis socioeconômicos mais baixos se veem representadas nessa comunicação.

Marcia finaliza falando de sua participação e suas percepções da IAMCR Conference, que aconteceu entre os dias 18 e 22 de julho de 2010, em Braga, Portugal.

Marina Pechlivanis Koutsantonis

terça-feira, agosto 31st, 2010

Leia abaixo o perfil de Marina Pechilivanis, egressa da primeira turma (2006-2008) do PPGCOM ESPM:

marina1- Como você chegou até o Mestrado?
Sempre gostei de estudar e estava em busca de uma pós-graduação na área de comunicação para sofisticar os conhecimentos e trazer novas referências para a propaganda e o marketing promocional, minha área de atuação.
Curiosa e sinergicamente alguns de meus mentores intelectuais indicaram o novo curso da ESPM, onde fiz meu bacharelado e onde, por diversas vezes, apresentei cases de mercado para os estudantes.

- O que você achou do Mestrado?
Uma excelente oportunidade de mergulhar na teoria para melhor entender o mercado e a realidade que nos abarca, com um corpo docente altamente qualificado e dedicado e uma equipe de apoio empenhada e profissional. São dois anos intensos, com muita leitura, muito estudo, muitos trabalhos, muita participação em eventos acadêmicos. Sem contar os exigentes processos de qualificação e preparo da dissertação, que requerem envolvimento e comprometimento de orientadores e mestrandos.
Como participei da primeira turma, sei o quanto todos (corpo docente e discente) se envolveram para efetivar o stricto sensu na ESPM, validando o curso junto aos órgãos legitimadores de ensino.

- O que você levou do Mestrado?
Uma nova forma de enxergar o real.
A visão da prática é efetiva, estuturada nas construções do dia-a-dia de negócios. Já a teoria tece um suporte para estes fatos e atos, historicizando-os. Alinhava as entrelinhas do agora, tornando-o mais tangível. E permite que novos alicerces sejam lançados para romper os paradigmas de um modus operandi congelado pelas regras do mercado.

Baudrillard, Maffesoli, Canevacci, Morin, Popper, Sfez, Harvey, Sarlo, Mattelart, Canclini, Bakhtin, Rybczynski, Bauman, Baccega… e tantos outros novos mestres, que inspiraram a procura por outros tantos, cada qual colaborou com um modo distinto de refletir e refratar sobre as coisas como são. Este processo de imersão abre os horizontes intelectuais e estimula a liberdade criativa, tornando mais consistente o processo de “empreender” no planejamento e implementação, por exemplo, de campanhas de comunicação e marketing.

Aos que crêem repousar a teoria nas páginas encadernadas da pesquisa, revejam seus conceitos. Trago-os em minhas apresentações e criações de campanhas na Umbigo do Mundo; nas aulas e palestras que ministro; no livro que escrevi sobre Gifting, logo após o mestrado; e principalmente nos artigos que escrevo para publicações como Revista Marketing e as virtuais Mundo do Marketing e Promoview.

Em tempo, e abordando o network que os saberes proporcionam, cabe dizer que levei desta experiência também novos amigos, um grupo inteligente e produtivo que me faz lembrar o quanto ainda há por aprender e fazer neste imenso mar de  informações e possibilidades.

Cápsulas para consumo – N. 5

terça-feira, agosto 31st, 2010

O não consumo de poesia

João Anzanello Carrascoza

Sabemos que o consumo não se restringe ao ato de compra. O consumo é uma prática social que revela quem somos. O que uma pessoa consome, de artefatos materiais ou simbólicos, diz muito sobre ela. E se o consumo individual comunica, aquilo que uma sociedade não consome também expressa os seus valores e as suas crenças dominantes.

Assim, pelo não consumo, podemos também estudar a era em que vivemos. Pelo não consumo de poesia, por exemplo. Prefere-se consumir vorazmente discursos estereotipados, como os dos best-sellers, do que poemas epifânicos. O imaginário social se represa na estreiteza de rio, quando poderia tornar-se oceano. E isso vale para todo tipo de mercadoria: prefere-se a comida fast food à surpresa culinária – rima para o paladar. Prefere-se o toque no celular do que a carícia no outro – haicai deslizando na pele.

Quem consome versos como este de Fernando Pessoa, “Para voar não basta ter asas, é preciso ser livre”? Quem vê beleza em coisas simples como numa cebola, que Neruda, sempre evocado por Rubem Alves, definiu como “rosa de água com escamas de cristal”? Quem salta o pântano do excesso de clichês cotidianos para se embrenhar no território poético de um Manoel de Barros: “São Francisco monumentou as aves./ Vieira, os peixes./ Shakespeare, o Amor, a Dúvida, os tolos./ Charles Chaplin monumentou os vagabundos. (…) Hei de monumentar as pobres coisas do chão mijadas de orvalho”. Quem sente os pés no chão, ao ler este verso do mesmo Manoel: “Eu tenho doutorado em formigas”? Quem se toca ao chegar às últimas palavras, “E vinha a vida”, do conto “Os cimos” de Guimarães Rosa? Quem ainda consome versos como estes de Bashô: “O canto da cigarra/ nada revela/ que ela vai morrer”. Quem é capaz de se comover, como Vinicius de Moraes um dia, com este verso de Garcilaso, “por donde una agua clara con sonido”, que, em português, perderia seus sons de pura música? Quem está disposto a reconhecer o grito de Walt Whitman sobre os telhados do mundo em suas folhas de relva? E as flores do mal? E as pedras do caminho? E a morte e vida severina? E os poemas sujos? O mundo não consumido da poesia guarda um mar de histórias – Kathâsaritsâgara, como o chamavam os hindus.

E a poesia não está confinada nos versos. A poesia é, como nos lembra Oswald de Andrade, “a descoberta de tudo que eu nunca vi”. Levar nossos olhos para passear é abrir-nos para um admirável mundo novo. Quem hoje passeia seus ouvidos, sem pressa, pelo Adagio de Albioni? Ou pela nona sinfonia de Beethoven? Que ouvidos sorriem ao se deparar com “Jesus alegria dos homens” de Bach?

Não por acaso, Baudrillard dizia que nossa sociedade é narcisista. Narciso não se preocupa com os demais. E a poesia só existe no contato com o outro, espelho que reflete a sua impermanência e refrata a sua solidão.

Restrepo, em Direito à Ternura, critica o analfabetismo afetivo e ressalta a capacidade do homem de se emocionar, de reconstruir o mundo e o conhecimento a partir dos laços afetivos, resgatando a palavra splacnisomai, que, derivada de um verbo grego (já extinto) do Novo Testamento, significa “sentir com as tripas”. A poesia nos faz sentir visceralmente a si e ao outro. Um ponto de vista que Marx, tanto tempo atrás, já assumira, quando afirmou que o homem, antes de mais nada, precisava passar por uma educação dos cinco sentidos.

Quando chegará o tempo em que o povo comerá o biscoito fino fabricado por Oswald? Será mesmo, como dizia Maiakóvski, que o homem não está preparado para o júbilo?

O consumo nos faz pensar. E o não consumo de algo tão raro, quanto a poesia, nos faz sentir. Muito.