Archive for outubro, 2011

Evento FiloCom: Prof. Ignacio Castro Rey

quinta-feira, outubro 20th, 2011

No evento organizado pelo FiloCom com o objetivo de alargar as discussões sobre a Comunicação e transpor as “barreiras” nacionais o convidado é o Prof. Ignacio Castro Rey, Ph.D. em Filosofia pela Universidad Autónoma de Madrid, onde trabalha como ensaísta, crítico e professor.

Seguindo uma linha sombria, segundo o próprio autor, que vai de Nietzsche a Agamben, de Baudrillard a Sokurov, Castro tem produzido textos sobre filosofia, cinema, política e arte contemporânea, ministrando palestras em várias partes do mundo.
É, também, gerente cultural e realiza cursos em instituições que resultaram em sete livros coletivos.
Entre os seus principais escritos, vale destacar La Sexualidad y su Sombra (Buenos Aires, 2004), Votos de Riqueza (Madrid, 2007) e La Depresión Informativa del Sujeto (Buenos Aires, 2011).
Uma de suas mais eminentes publicações é: Sociedad y Barbarie, um ensaio sobre os limites da antropologia em Marx (trechos disponíveis em www.ignaciocastrorey.com).

Ignacio Castro Rey estará em São Paulo de 28 de Novembro a 02 de Dezembro, onde fará o seminário: “Dilemas da comunicação contemporânea: as redes sociais, o consumo, a sexualidade e a informação”.

O seminário está dividido em cinco palestras a serem realizadas na ECA-USP e na PUC-SP, das 14h30 às 17h30. Os temas das palestras serão:

28/11 – Depressão Informativa do Sujeito
29/11 – Votos de Riqueza
30/11 – Sexo e Sombra
01/12 – Comunicação e segredo
02/12 – Formas de indefinição (Sobre as imagens)

As inscrições para o conjunto das palestras são gratuitas e devem ser feitas enviando, até o dia 25 de novembro, os seguintes dados para o email: filocom@usp.br

Nome completo
RG
Cidade em que reside
Telefone para contato
Email
Instituição na qual leciona ou estuda
Curso
Ano de término

Haverá entrega de certificados de participação para inscritos que obtiverem o mínimo de 70% de presença.

A confirmação dos locais de cada uma das palestras a serem realizadas alternadamente na PUC-SP e na ECA-USP será divulgada em breve.

XI Congresso ALAIC: 9 a 5 de maio de 2012

quinta-feira, outubro 20th, 2011

O XI Congreso Latinoamericano de Investigadores de la Comunicación (ALAIC) com o tema “La investigación en comunicación en América Latina: interdisciplina, pensamiento crítico y compromiso social” acontecerá em Montevideo, Uruguai, entre 9 e 11 de maio de 2012.

GT14  Discurso y Comunicación

Para este evento, o processo de submissão de propostas de trabalho começa neste ano, a partir de resumos, que poderão ser enviados até o dia 15 de novembro; em 5 de dezembro serão divulgados os nomes dos trabalhos seleccionados.
As submissões devem ser feitas para o email do coordenador do GT, com cópia para os vice-coordenadores. Abaixo seguem os emails para envio, a ementa do GT Discurso y Comunicación e as instruções sobre o formato dos resumos.

Coordinador João Batista Freitas Cardoso. USCS, Brasil jbfcardoso@uol.com.br

Vice-Coordinador Tanius Karam. UACM, México
 tanius@yahoo.com

Vice-Coordinador Vander Casaqui. ESPM-SP, Brasil vander.casaqui@gmail.com

Ementa do GT

Los objetivos del Grupo son promover el conocimiento y dar a conocer investigaciones que aborden distintos aspectos vinculados a la estructura, uso y manejo del lenguaje en los procesos de comunicación (medios masivos, nuevas tecnologías, comunicación interpersonal, prácticas culturales).
Así mismo relacionar las dimensiones epistemológicas, teóricas, metodológicas que existen en la producción científica y académica de la comunicación relacionada con los estudios del discurso y los estudios semióticos.
El grupo desea difundir los trabajos que se basan en el estudio de los lenguajes, los discursos, los signos, intercambios verbales, sistemas sígnicos, procesos semiósicos y que utilizan o aplican teorías y métodos en los estudios del discurso y los estudios semióticos y que son pertinentes en el campo de la comunicación.

Presentación de resúmenes a GT

Fecha límite de presentación de resúmenes: 15 de noviembre de 2011.

Normas para presentación de resúmenes

Deberá ser un texto de entre 3000 y 4000 caracteres, conteniendo:

*  Datos del autor o autores: nombre, universidad, país, correo electrónico.
*  GT o GI para el que se propone.
*  Objetivos y/o tema central a abordar.
*  Caracterización del estudio, experiencia o reflexión teórica propuesta.
*  Enfoque y/o metodología de abordaje.

No podrá presentarse más de un resumen por participante.

Fecha en que se comunicará la aceptación de los resúmenes:
5 de diciembre 2011.

Presentación de ponencias completas: hasta el 4 de marzo de 2012.

Univ. Federal de Goiás: SEMINÁRIOS

quinta-feira, outubro 13th, 2011

Os membros do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (Facomb – UFG) convidam todos a participar dos eventos:

17/10/11

III Seminário de Mídia e Cultura 

18/10/11

V Seminário de Mídia e Cidadania


Os eventos trazem para as discussões os temas: “Cultura, Convergência e Mobilidade” e “Mídia, Ética e Imaginário”, respectivamente.
As conferências de abertura serão ministradas pelos Professores:

ERICK FELINTO (UERJ)

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4791914A1

e
LUIZ MARTINS DA SILVA (UnB)

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4780467D2

Cápsulas para consumo N. 21

quinta-feira, outubro 13th, 2011

SONÍFERO CONSUMO

João Anzanello Carrascoza

Se a vida é vigília, mantermos os pés fincados na realidade é também sonho, como nos lembra o poeta medieval Calderón de La Barca em La vida es sueño, sua peça teatral mais célebre. 

 Assim se dá com qualquer tipo de pólo conceitual: o apolíneo tem também algo de dionisíaco, a linguagem não prescinde do silêncio, o consumo se estabelece igualmente na esfera da produção.

 O eu não existe sem o outro, e esse é parte daquele. Nas culturas midiáticas, que preponderam na contemporaneidade, o enunciatário é igualmente enunciador, o receptor não só recebe mas também produz mensagens. Sem contar a mescla gerada por duas ou mais forças culturais, a qual Canclini denominou de hibridização.

Por isso, a hora de dormir, de se desligar do mundo das marcas, é também hora de se envolver intimamente com elas: pasta de dentes, toalha, lençol, travesseiro, despertador, livro e muitos outros objetos estão ao nosso lado – e serão consumidos por nós minutos antes de nos entregarmos ao sono.

A publicidade, cujos comerciais de margarina invariavelmente traziam cenas de uma família iniciando seu happy day, não encontrou ainda produto equivalente para divulgar com intensa freqüência, até se tornar clichê, cenas de pessoas indo dormir, felizes, graças a algo que consumiram ao longo do dia. E, mesmo assim, as mercadorias estão lá, em profusão, ao redor delas, à beira da cama. Obviamente, o que consumimos nessa hora “alta” revela também o que somos. Pijamas, por exemplo.

 Há quem use pijamas de grifes famosas, e como qualquer outra peça do vestuário contemporâneo, eles são, bem escreveu Drummond no poema “Eu, etiqueta”, “…mensagens,/ letras falantes,/ gritos visuais,/ ordens de uso, abuso, reincidências./ Costume, hábito, premência,/ indispensabilidade…”, que fazem de nós “escravos da matéria anunciada”.

 Mas por que até mesmo na hora de dormir, nos importamos com as marcas? Por que até mesmo os solitários se enfiam debaixo de lençóis assinados por Alexandre Hercovith? Baudrillard dizia que vivemos numa sociedade narcisista. E, Caetano Veloso, num verso de “Sampa”, sentenciou: “Narciso acha feio o que não é espelho”.

 A onipresença das marcas no nosso cotidiano não se restringe à mercadoria propriamente dita. No caso dos pijamas, eles até se transformaram em personagens midiáticas numa série de tevê produzida na Austrália. Os Bananas de Pijama movimentaram somas milionárias em licenciamentos nos seus dez anos de intensa exposição.

 Na outra ponta desse vetor, há quem dispense pijamas e use para dormir camisetas promocionais nas quais se nota todo tipo de desenhos ou dizeres, desde os mais jocosos até os que promovem alguma causa social. São camisetas de festas da “firma”, convenções empresariais, candidaturas de políticos, cidades turísticas, enfim, signos dos mais variados gêneros discursivos. Mas por que são usadas como pijamas? Porque são feias? Porque não são de grife? Ou porque não queremos ser vistos socialmente com elas e associados ao discurso que preconizam?

imagem camiseta

Pois bem: no último dia de aula deste semestre, ganhei uma dessas camisetas de um aluno. Há nela uma ilustração estilizada do busto de José Saramago e  a seguinte frase do escritor português: “Uma pitada de poesia é suficiente para perfumar um século inteiro”. Claro, vou com ela para a rua! Mas conheço gente que só a usaria como pijama.

 Já uma outra camiseta, que me deram de brinde num evento acadêmico, vou ocultar sob os lençóis. Nada de anunciar a sua mensagem à luz do dia! Tenho lá os meus motivos.

E, não por acaso, lembro aqui de uma máxima de Machado de Assis: “dormir é um modo interino de morrer”.

Pois é: o consumo nos faz pensar. Com ou sem pijama. Às claras, ou no escuro. Pela vida afora, ou até na hora da nossa morte. Seja ela interina ou não.