Archive for novembro, 2011

Cápsulas para consumo N.22

segunda-feira, novembro 28th, 2011

Mix de intenções na campanha Itaucard

Chirles de Oliveira

Como o Itau pode mudar o mundo? Ao assistir essa campanha do Itaucard cujo garoto propaganda é o apresentador global Luciano Huck observei como o discurso de uma ação promocional do banco foi ressignificada e levada ao consumidor como uma ação de responsabilidade social, uma das últimas tendências da nova retórica do capital (ROCHA, 2010).

A pesquisadora Maria Eduarda Mota Rocha identificou em sua pesquisa de doutorado, depois transformada no livro A nova retórica do capital – a publicidade brasileira em tempos neoliberais, que os conceitos utilizados na publicidade brasileira foram mudando ao longo do tempo e, “que na fase da imagem da marca”, as dimensões política e mercadológica do discurso do grande capital convergiam para os conceitos de “responsabilidade social” e de “qualidade de vida” (2010, p. 27).

A pesquisa identificou que, nas décadas de 1970 e 1980, predominou no Brasil o apelo ao prestígio e à tecnologia, convergente com a ideologia do progresso que enaltecia os valores capitalistas da concorrência e da “modernidade tecnológica”. Segundo a autora, enquanto a credibilidade da ideologia do progresso esteve em alta, os bens e serviços eram promovidos para conferir prestígio ao usuário.
Mas, a partir do final da década de 1980, com a consolidação do processo globalizante e as consequências indesejadas da modernização do país, a publicidade desloca seu discurso para os conceitos de “qualidade de vida”. Entende-se qualidade como a conquista de mais tempo para conviver com a família e amigos, mais espaço para desfrutar da natureza, na representação simbólica de que a felicidade poderia ser conquistada com os pequenos atos do cotidiano e não pelo viés da quantidade de bens e serviços. Segundo Mota Rocha (2010), essa ideologia perpassou pela valorização das “coisas simples da vida”.

E o que o garoto propaganda do Itaucard está “vendendo” em seu discurso? Um cartão de crédito? O dinheiro invisível que facilita sua vida de consumo? Não. Em seu discurso ele está ofertando “as coisas simples da vida” como “curtir seus filhos, namorar, ficar mais amigo dos seus amigos”. O texto escrito pela agência DPZ que ganha credibilidade e empatia na voz do Luciano Huck enfatiza que “50% de desconto não é só para você economizar, é uma forma de dividir momentos especiais, te dar mais escolhas, ficar mais perto de você”.

Entretanto, dois pontos me chamaram a atenção. O primeiro é que 50% de desconto reflete uma ação promocional, mas me parece que até esse conceito puramente mercadológico foi ressignificado, pois ele não serve para você economizar a metade do preço apenas e sim para você curtir momentos felizes e ter outras escolhas, escolhas de consumir o cinema, o jogo de futebol e o teatro utilizando o Itaucard, é claro.

Outro ponto intrigante, é que esta campanha, que consegue ser institucional e mercadológica ao mesmo tempo, transforma a promoção e a oferta de um cartão de crédito em ação de responsabilidade social, afinal, o Itaucard quer mudar o mundo. Como? “Mudando um pouquinho a vida de cada pessoa” (voz do Huck). Claro que o discurso não está focado no meio ambiente e em projetos sociais, proposta inclusive de outras campanhas do banco. Mas, toda vez que uma empresa declara que vai mudar o mundo em suas ações comunicacionais, o que lhe vem à cabeça?  Minha memória traz propagandas de sustentabilidade e de responsabilidade social como intenção discursiva.

Aqui está o pulo do gato que me chamou atenção. Para mim, o discurso publicitário do Itaucard teve a intenção de unir as duas tendências da retórica do novo capital que é a “qualidade de vida” e a “responsabilidade social”. Mas, a sua intenção primeira não seria promover o cartão de crédito que dá 50% de desconto no teatro e no cinema? E isso não seria uma ação meramente promocional, ou seja, mercadológica? Ah, mas a publicidade tem a sua retórica, recursos e artifícios, e como argumentaria o professor Muniz Sodré faz uso das estratégias sensíveis para atingir o objetivo de seduzir e encantar seu público. Em suas palavras: “Persuadir, emocionar, abrir os canais lacrimais do interlocutor por meio do apelo desabrido à banalidade são recursos centrais da retórica propagandística, aperfeiçoada pela publicidade e pelo marketing de hoje” (SODRÉ, 2006, p. 79).

http://www.youtube.com/watch?v=N4ENsW2h8ho&feature=player_detailpage

Palestra: Prof. Dr. Ignacio Castro Rey

quinta-feira, novembro 24th, 2011

Seminário: “Dilemas da comunicação contemporânea: as redes sociais, o consumo, a sexualidade e a informação”.

O evento é organizado pelo FiloCom com o objetivo de alargar as discussões sobre a Comunicação e transpor as “barreiras” nacionais.
O convidado é o Prof. Dr. Ignacio Castro Rey, Ph.D. em Filosofia pela Universidad Autónoma de Madrid, onde trabalha como ensaísta, crítico e professor.
O seminário está dividido em cinco palestras a serem realizadas na ECA-USP e na PUC-SP, 28 de Novembro a 02 de Dezembro das 14h30 às 17h30.

Seguindo uma linha sombria, segundo o próprio autor, que vai de Nietzsche a Agamben, de Baudrillard a Sokurov, Castro tem produzido textos sobre filosofia, cinema, política e arte contemporânea, ministrando palestras em várias partes do mundo. É, também, gerente cultural e realiza cursos em muitas instituições os quais resultaram em sete livros coletivos.
Entre os seus principais escritos, vale destacar La Sexualidad y su Sombra (Buenos Aires, 2004), Votos de Riqueza (Madrid, 2007) e La Depresión Informativa del Sujeto (Buenos Aires, 2011).
Uma de suas mais eminentes publicações é: Sociedad y Barbarie, um ensaio sobre os limites da antropologia em Marx.

Ver: http://www.ignaciocastrorey.com/

Os temas das palestras serão:

28/11 -  Depressão Informativa do Sujeito (USP)
29/11 – Comunicação e segredo (PUC)
30/11 – Sexo e Sombra (USP)
01/12 -  Formas de indefinição (Sobre as imagens) (PUC)
02/12 – Votos de Riqueza (USP)

As inscrições para o conjunto das palestras são gratuitas e devem ser feitas enviando, até o dia 25 de novembro, os seguintes dados para o email:

filocom@usp.br

- nome completo
- RG
- cidade em que reside
- telefone para contato
- email
- instituição na qual leciona ou estuda
- curso
- ano de término

Haverá entrega de certificados de participação para inscritos que obtiverem o mínimo de 70% de presença.

1º Seminário de Pesquisa Avançada em Interações Midiatizadas

quarta-feira, novembro 23rd, 2011

A Profa. Dra. Gisela Castro e o Prof. Dr. Vander Casaqui apresentarão artigos nesse Seminário cujo tema será “A promoção do capital humano:mídia, subjetividade e o novo espírito do capitalismo”.

Local: Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede – UFRN
Campus Lagoa Nova, Natal-RN
Dias 24 e 25 de novembro de 2011

Programação

Dia 24 de novembro (quinta-feira)

CREDENCIAMENTO E BRUNCH – 9h
ABERTURA  – 9h45m
Maria das Graças Pinto Coelho (UFRN) e João Freire Filho (ECO/UFRJ)

MESA 1 – 10h às 12h30m
Moderadora: Gisela G. S. Castro (ESPM/SP)

Edilson Cazeloto  (UNIP)
Capital humano, trabalho imaterial e monocultura informÁtica.
Rogério da Costa (PUC-SP)
Redes sociais e capital social: a nova fronteira do neocapitalismo.
Sergio Amadeu da Silveira (UFABC)
Lia Ribeiro Dias (Faculdade Cásper Líbero)
Inclusão digital e capital social: implicações de uma relação.

MESA 2 -  14h30 às 17h
Moderador: Vander Casaqui (ESPM/SP)

Marcos Nicolau (UFPB)
A autonomia comunicacional na cibercultura e as contradições de um capitalismo tardio.
José Luiz Aidar Prado (PUC-SP)
De navios a estrelas na construção biopolí¬tica do eu capital.
João Freire Filho (ECO/UFRJ)
Sonhos de grandeza: o gerenciamento da vida em busca da alta performance.

Dia 25 de novembro (sexta-feira)

MESA 1 – 10h às 12h30m
Moderadora: Josimey Costa (UFRN)

Gisela G. S. Castro (ESPM/SP)
Comunicação, consumo e capital humano: cultura digital  e a mercantilização das subjetividades.
Maria das Graças Pinto Coelho (UFRN)
O risco da sacralização da interação no desenvolvimento da cognição em interfaces digitais.
Maria Isabel Mendes de Almeida (PUC-Rio)
Redesenhando os sentidos do capital humano: autonomias táticas,  criatividade,  liberação e inserção profissional juvenil no Rio de Janeiro.

MESA 2 – 14h30m às 17h30m
Moderador: Silas de Paula (UFC)

Michael Hanke (UFRN)
Mídia, cultura e subjetividade. Vilém Flusser e o espí¬rito pós-moderno das novas tecnologias da comunicação.
Isleide Arruda Fontenelle  (FGV-SP)
O discurso midiático sobre a responsabilidade do consumidor: vida saudável como objeto de investimento.
Vander Casaqui (ESPM/SP)
Trabalho, consumo e a produção da felicidade: análise das narrativas dos trabalhadores do Pão de Açúcar na campanha “Ingredientes”.

Revista Liinc sobre “conhecimento e cultura”

quarta-feira, novembro 16th, 2011

Já está disponível o último número da revista Liinc, que em seu  Vol. 7, No 2 (2011) traz o dossiê “A quem pertencem conhecimento e cultura”.
A Liinc em Revista é uma publicação do Laboratório Interdisciplinar em Informação e Conhecimento, um espaço interinstitucional e multidisciplinar, coordenado em parceria entre a UFRJ e o IBICT , voltado para a reflexão crítica sobre informação, conhecimento e desenvolvimento, ante as transformações no mundo contemporâneo.

A revista é indexada por DOAJ, Latindex e Harverest.

Sumário
A quem pertence a cultura? | Who owns culture?
Leandro Mendonca, Allan Rocha de Souza

Considerações sobre a autoria

Considerações sobre as relações entre autoria, dança, cinema e videodançaBeatriz Cerbino, Leandro Mendonça

Autoria, propriedade e compartilhamento de bens imateriais no capitalismo cognitivo
Beatriz Cintra Martins

Criação e fruição: os interesses jurídicos na produção intelectualDenis Borges Barbosa

A quem pertence conhecimento e cultura? Uma reflexão sobre o discurso de legitimação do direito de autor
Karin Grau-Kuntz

Considerações sobre o acesso

Direitos autorais e acesso à cultura
Allan Rocha de Souza

Fundamentos para o domínio público no direito autoral brasileiroSérgio Vieira Branco Júnior

Novas considerações sobre o acesso ao Patrimônio Musical no BrasilAndré Guerra Cotta

“Reprodução Proibida”: Financiamento público e direitos de cópia privados
Jorge A. S. Machado

Economia Criativa

Indústria criativa: direitos de autor e acesso à cultura
Antônio Márcio Buainain, Cássia Isabel Costa Mendes, Antônio Braz de Oliveira e Silva, Sérgio Medeiros Paulino de Carvalho

Indústrias criativas: alternativa de desenvolvimento regionalCláudia Sousa Leitão, Luciana Lima Guilherme, Luiz Antônio Gouveia de Oliveira, Raquel Viana Gondim

Direito autoral e economia criativa: a construção de uma economia preocupada com a criatividade
Marcos Wachowicz, Rodrigo Otávio Cruz e Silva

Informação, conhecimento e capitalismo: uma abordagem dialéticaRodrigo Moreno Marques, Filipe Oliveira Raslan, Marta Macedo Kerr Pinheiro

Informação

“Regime” e “Informação”: a aproximação de dois conceitos e suas aplicações na Ciência da Informação
Maria Cristina Brasil Magnani, Marta Macedo Kerr Pinheiro

A urgência dos padrões em rede: do autor do conteúdo ao vínculo da relação
Dalton Martins

Biblioteca escolar: espaço de silêncio e interdição
Gustavo Grandini Bastos, Soraya Maria Romano Pacífico, Lucília Maria Sousa Romão

Direitos autorais, informação e tecnologia: impasses e potencialidades
Ana Carolina Silva Biscalchin, Marco Antônio de Almeida

O revelador Wikileaks – para uma wikipolítica 2.0?
Yann Moulier Boutang

Direito

O domínio público e a função social do direito autoral
Carlos Affonso Pereira de Souza

Exercício e tutela dos direitos: proposta à construção do processo coletivo pós-moderno
José Isaac Pilati

Direito e identidade das comunidade tradicionais – do direito do autor ao direito à cultura
Thais Luzia Colaço, Raquel Fabiana Lopes Sparemberger

Mais artigos

Divulgação e apropriação do conhecimento científico: o caso da Educação Física
Ana Márcia Silva, Ari Lazzarotti Filho, Ana Paula Salles da Silva

Acesse: www.ibict.br/liinc