Archive for dezembro, 2011

Curso de redação científica: IEL – Unicamp

quarta-feira, dezembro 14th, 2011

ATENÇÃO: A partir de 15 de dezembro de 2011 estarão abertas as inscrições para o curso de extensão de Redação Científica, oferecido pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Com início previsto para 3 de março e término em 14 de abril de 2012, o curso tem como objetivo capacitar os alunos para a redação de textos acadêmicos, que incluem relatórios, artigos para revistas especializadas e resumos para congressos.

As aulas do curso abordarão características estruturais e estilísticas dos textos acadêmicos; recursos textuais: coesão, coerência, referenciação e progressão tópica; adequação do vocabulário; a função das notas de rodapé; formatação da bibliografia; expressões; e reciclagem gramatical.

O curso de Redação Científica tem como público-alvo pesquisadores, estudantes de graduação ou de pós-graduação e demais interessados pelo tema.

As inscrições se encerram em 28 de fevereiro de 2012.

Mais informações e inscrições:
www.extecamp.unicamp.br/extensao

Revista ESFERAS: chamada de artigos

quarta-feira, dezembro 14th, 2011

A Revista ESFERAS convida todos os pesquisadores em Comunicação a enviar seus artigos para sua primeira edição, a ser publicada em março de 2012, em versões online e impressa.
A Revista ESFERAS é um novo espaço coletivo de trocas e reflexões, sob a égide dos quatro Programas de Pós-graduação em Comunicação das Universidades do Centro-Oeste, a saber o Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Brasília – UCB, o PPGCOM da Universidade de Brasília – UnB, o PPGCOM da Universidade Federal de Goiás – UFG e o PPGCOM da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS. (Ver “foco e escopo” no menu “sobre a revista”:

http://portalrevistas.ucb.br/index.php/esf/about) 

Para a primeira edição, o dossiê temático da revista ESFERAS será dedicado à COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL. Artigos sobre outros temas e enfoques serão avaliados na seção de ARTIGOS LIVRES.
A seção VISUALIDADES, receberá ensaios visuais de toda natureza, a serem avaliados por especialistas das diversas artes visuais em comunicação.

Cápsulas para consumo N. 30

quarta-feira, dezembro 14th, 2011

A arte imita a vida: dois mundos vividos pelas empregadas domésticas retratadas no programa A Grande Família
Denise Avancini Alves

A tela da TV acolhe e reflete uma série de mundos. Mundos esses que vão, desde aqueles que zapeamos de forma rápida, àqueles que nos fixamos, ora com intuito aspiracional, ora com intuito de lazer ou informacional. Nesta categoria podemos ilustrar exemplos que nos auxiliam no processo reflexivo, mesmo que de forma cômica, em alguns momentos.

Noite dessas, ao assistir ao episódio As 2 mães de Lineu de A grande família (Rede Globo, 2011), veiculado em 25/08/11, foi possível perceber a dualidade dos mundos vividos pelas empregadas domésticas, também retratado em estudos de Everardo Rocha e Carla Barros, no artigo “Entre mundos distintos: notas sobre comunicação e consumo e um grupo focal”.
Durante o episódio, Bebel (Guta Stresser) se cansa de depender do dinheiro de Agostinho (Pedro Cardoso), seu marido, e arruma um emprego como doméstica em um apartamento de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Com o acesso a esse novo cenário, Bebel começa a comparar a vida da patroa com sua vida real, chegando ao ápice do enredo quando ela e Agostinho desfrutam do conforto do local, vivendo como se a casa da patroa fosse a deles, usufruindo seus produtos e equipamentos, culminando com um flagra da patroa.
Em trechos do diálogo entre a empregada doméstica e a patroa, é possível identificar a necessidade desta de apresentar produtos (e seus manuseios e cuidados) que até então eram desconhecidos pela empregada.

(Patroa): Muito cuidado ao lavar as taças de vinho. São todas de cristal.
 (Bebel): Desculpe perguntar Dona Arlete, mas qual a diferença entre o vidro e o cristal?
(P): É mais ou menos o seu salário.

O humor – peculiar ao programa – é sempre um ingrediente interessante a ser analisado nos discursos, e dilui o peso da diferença das realidades tão distantes, reforçando a percepção de que bens são adequados para expressar distinções sociais. Como indicado por Rocha e Barros (2008, p. 198), “mesmo que não tenham condições materiais de comprar muitos dos bens oferecidos pelo mercado, as informantes [as domésticas] estão em contato permanente com os símbolos e valores desse universo”.  Somado a isso, tem-se a identificação de personalização de produtos, nesse caso, realizada pela patroa no segmento do vestuário, onde roupas de grife ganham um significado diferenciado, promovendo a visibilidade do status de determinadas classes.

(P): Tudo climatizado. Essa aqui, cuidado, muito cuidado. Se você quebrar as garrafas vou ter que cortar suas duas mãozinhas. Ahaha (..,)
 (P): A TV, a TV é muito sensível. Não pode passar pano. Tá? Cuidado mesmo, olha, você está me escutando, cê vai ter que ter é com minhas roupas. A que tiver nome e sobrenome você lava à mão.
(B): Roupa tem sobrenome?
(P): Gianni Versace, Dolce e Gabbana, Yves Saint Laurent

Por outro lado, embora não observado no episódio de A grande família, a empregada doméstica também apresenta suas peculiaridades, se caracterizando como uma especialista de produtos de limpeza ou alimentos mais corriqueiros, por exemplo (ROCHA e BARROS, 2008). Portanto, produtos voltados à prática profissional, que se destacam no repertório da empregada doméstica, geram influência de consumo junto às patroas. De certa forma, a admiração (ou influência) se inverte, tornado-se de mão dupla, embora com pesos ou dimensões diferentes.
A vivência contínua no ambiente profissional faz com que a empregada doméstica compare a sua realidade com a da patroa, muitas vezes compartilhando tal discurso com os demais membros da casa. Assim, tem-se o fundamento da teoria trickle-down (Simmel apud Rocha e Barros, 2008), onde os hábitos de consumo ou produtos passam a ser adotados pelas empregadas após o conhecimento na casa da patroa. Embora não bem sucedida no episódio (visto que o mesmo retrata a intenção, não a ação de adquirir o produto), Bebel fez o mesmo. Conversando com Agostinho, quase que num tom reclamatório, indica sua insatisfação:

(B): A televisão do quarto de empregada é maior que a nossa.

Nesse caso, o consumo representa um sinal de ascensão social, indicador de possibilidades e de vínculos que podem ser traduzidos em produtos, como tamanhos de telas de televisão ou tipos de taças (vidro ou cristal), como retratados no programa. Ao mesmo tempo, quando o acesso ao produto não ocorre, pode gerar uma frustração, provavelmente implicado em ruídos com os públicos envolvidos (patroa ou família).
O consumo, portanto, ultrapassa o utilitarismo, tendo nas dimensões sociais e culturais um novo prisma de análise. O episódio encerra, mas não a discussão do tema. Certamente, a dualidade de mundos serve para refletir, dando espaço para as diferentes formas de manifestação do consumo em todos os ambientes e cenários. Como indicado por ROCHA e BARROS (2008, p.186), é importante debater algumas formas pelas quais práticas, arranjos coletivos e identidades sociais podem ser definidas e orientadas em meio a um complexo jogo que envolve cultura, comunicação e consumo. É nesse cenário que habita o fascínio da pesquisa, mesmo que retratado em formato de episódios.

Referência

ROCHA, Everardo; BARROS, Carla. Entre mundos distintos: notas sobre comunicação e consumo e um grupo focal. In: BACCEGA, Maria Aparecida (Org.). Comunicação Cultura e Consumo. São Paulo: Atlas, 2008., p. 187 – 202.

Cápsulas para consumo N. 29

quarta-feira, dezembro 14th, 2011

JUVENTUDE E CONSUMO

Fernando Viegas

É difícil padronizar a juventude atual devido a intensa correria do dia-a-dia da qual a pós-modernidade mantém-se refém. Sabe-se que os fatores de classe, a faixa etária, a cultura e a instrução de cada jovem variam numa amplitude difícil de mensurar. Eles estão inseridos em uma categoria diversa, complexa, multifacetada. Estão acostumados a trocar mensagem por celular, notebook, iPad. Postam vídeos de suas rotinas no youtube, nas redes sociais. Vivenciam, em geral, os três turnos diários de forma diferente: em um turno são estudantes, no outro turno são trabalhadores, outro turno são filhos ou também consumidores. Mas uma força aparentemente recente permeia a maior parte deles: a facilidade no acesso as novas tecnologias. O jovem atual está inserido no mundo das novas tecnologias, dispõe de tempo para isso, gosta de música e se liga a outros grupos principalmente por relações virtuais, como por comunidades no facebook, orkut e outras redes sociais.
Seja pelo pessimismo de Zygmunt Bauman na sua “Modernidade Líquida”, seja pelo dinamismo do dia-a-dia, muitas são as críticas voltadas para os jovens. Eles são acusados de subversivos, sem regras, sem limites, irreverentes, indecisos e influenciáveis. Considera-se essa fase fortemente ligada aos desvios de conduta esperados pela grande maioria. É como se a juventude atual quisesse ser diferente dos outros para ser igual ao grupo a que deseja pertencer. Com relação ao consumo, contudo, esse público é fortemente valorizado, em paradoxo a sua conduta. Isso acontece principalmente pelos recentes crescimentos do poder aquisitivo dessa faixa-etária na atualidade.
A mesma sociedade que condena os jovens como seres errantes, valoriza-os como notórios consumidores. É como se houvesse uma mudança na frase “penso, logo, existo” de Descartes para “tenho dinheiro, logo existo”. Esse novo consumidor mostra-se muito mais exigente e dispõe de mecanismos virtuais para criticar ou valorizar o produto / serviço o qual está consumindo. Isso acontece porque o jovem, em geral, tem mais acesso a informação e a mecanismos de comunicação em comparação a gerações mais antigas. Esse novo consumidor tem a liberdade de ser o que quiser e, obviamente, de consumir o que quiser. Descarta as coisas com muita rapidez e não se contente com o mínimo que o produto pode lhe proporcionar. Sempre busca o novo, o melhor.
Essa postura mais ativa da juventude com relação ao consumo está fortemente relacionada com a pós-modernidade. Na pós-modernidade, tudo é descartável e muito fácil. Preza-se a ideia da liberdade. Aceitar a lei do mercado é a única regra da pós-modernidade. Age-se pelo impulso de comprar. Consumir deixa o jovem mais feliz. Muitas vezes ele parece valorizar apenas a marca que consome e não o que realmente é. Os valores pessoais parecem não funcionar mais. Preza-se mais o “parecer” e não o “ser”, de fato.
Não existe solução para modificar essa realidade, o mercado, assim como as gerações mais antigas terão que se adaptar a essa nova forma de consumir do jovem. A esperança que resta é apostar nas novas gerações (como a geração Z) que, dentro de alguns anos, manifestarão atitudes expressivas e próprias de consumo, esperamos que consciente e equilibrado.