Archive for fevereiro, 2012

Revista Ciberlegenda: Tecnologias digitais

segunda-feira, fevereiro 13th, 2012

Esta edição da revista Ciberlegenda, dedicada ao tema Tecnologias digitais, redefinições do espaço e novas territorialidades, reúne doze artigos e uma resenha que refletem sobre as reconfigurações da territorialidade a partir dos usos das tecnologias de comunicação e informação, e os novos arranjos espaço-temporais que emergem dessas mudanças. Os textos selecionados discutem as diversas inflexões que atualmente se desenvolvem nas relações com o “virtual”, reconfigurando as formas de vivenciar o tempo e o espaço.

Sob essa perspectiva, o conjunto dos trabalhos publicados neste número propõe uma variedade de indagações, dispara das a partir de questões como as seguintes:
Que tipos de intervenções estéticas e políticas ocorrem nesses novos territórios?
De que maneira o sujeito contemporâneo ocupa e experimenta tais espaços?
Quais são as repercussões das mídias locativas e das tecnologias de simulação na geopolítica contemporânea?
Qual é o estatuto da experiência nos ciberespaços?
De que modo se articulam as territorialidades analógicas e as digitais, e em que medida tais relações interferem na formulação das políticas urbanas contemporâneas?
De que maneira essas novas cartografias sugerem outras experiências de sociabilidade no âmbito das mídias, e como elas compõem novos regimes de visibilidade ou até mesmo de vigilância?

Além dos artigos científicos e da resenha que conformam o corpo principal da revista, a Estação Transmídia apresenta as contribuições de vários pesquisadores convidados especialmente para desdobrar tais discussões, recorrendo a materiais de naturezas diversas e em múltiplos suportes.

Acesso:
http://www.uff.br/ciberlegenda/ojs/index.php/revista/issue/view/31/showToc

Guerra e Paz, de Portinari, em São Paulo

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

08/02/2012

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Foi aberta nesta terça-feira (07/02) a visitação pública da exposição Guerra e Paz, de Portinari, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

A exposição apresenta, pela primeira vez em São Paulo, os dois últimos e maiores murais pintados por Candido Portinari (1903-1962), Guerra e Paz, que passaram por um minucioso trabalho de restauro, realizado entre fevereiro e maio de 2011 em ateliê aberto ao público no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

Encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York, os painéis estavam localizados no hall de entrada da Assembleia Geral e eram de acesso restrito aos delegados das nações. Nem mesmo durante as visitas guiadas à ONU as obras podiam ser vistas pelo público, por razões de segurança.

Com a realização de uma grande reforma no edifício-sede da ONU entre 2010 e 2013, o Projeto Portinari, que cuida do legado do artista, conseguiu a guarda dos painéis para restaurá-los e promover sua exposição no Brasil e no exterior nesse período.

Para marcar o retorno dos painéis ao país, as obras foram reapresentadas no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em dezembro de 2010, 54 anos depois da primeira e única vez que o público brasileiro e o próprio Portinari tiveram a oportunidade de vê-las antes de serem embarcadas para os Estados Unidos.

Na época, os Estados Unidos não permitiram a ida de Portinari para a inauguração dos murais devido às ligações do artista com o Partido Comunista.

Antes de seguirem aos Estados Unidos, o empresário e mecenas ítalo-brasileiro Francisco Matarazzo Sobrinho (1898-1977), mais conhecido como Ciccillo Matarazzo, cogitou trazer os murais para São Paulo, terra natal de Portinari, para apresentá-las ao público paulista. Porém, seu desejo acabou não sendo concretizado.

“Não sei como expressar a felicidade que estou sentindo por apresentar Guerra e Paz pela primeira vez ao público paulista após o restauro das obras e também pela oportunidade de levá-las a outros países onde há grandes embaixadores do Brasil do nosso amor pela arte, da nossa vocação pela paz, pela fraternidade e pelo respeito às diferenças”, disse João Candido Portinari, filho do artista e fundador e diretor do Projeto Portinari na abertura da exposição para convidados, realizada na segunda-feira (06/02).

Guerra e Paz são a síntese de uma vida inteira comprometida com o ser humano. Sua pintura, como sua militância política, levantou-se contra as injustiças, a violência e as misérias do mundo”, disse João Candido.

Os murais medem, cada um, 14 metros de altura e 10 metros de largura e são compostos, ao todo, por 28 placas de madeira compensada naval, com 2,2 metros de altura por 5 metros de largura, que pesam 75 quilos cada uma. A área total pintada, uma superfície de 280 metros quadrados, é maior do que a do Juízo Final, de Michelangelo, na Capela Sistina, na Itália.

Cápsulas para consumo N. 40

quarta-feira, fevereiro 1st, 2012

Sociedade do consumo na era do vazio

Évelin Argenta

 

 O modernismo deixou de ser sinônimo de atualidade já faz tempo. Agora, somos pós-modernos. Pelo menos é a isso que nos levam crer os atuais sintomas de dependência do consumo.  

Embora o ato de consumir serviços ou produtos nunca tenha sido visto como um fenômeno inocente e isolado pelos mais atentos, é atualmente que a força simbólica da ação ganha mais significância. Na sociedade contemporânea, o consumo é altamente estimulado, principalmente pelos meios de comunicação de massa que vendem estilos e hábitos de vida que não deixam a “roda do consumismo” parar de girar. 

A publicidade, na verdade, soube aproveitar os sintomas da pós-modernidade e transformá-los em estímulos ao consumo. Na medida em que nos sentimos cada vez mais distantes de parâmetros concretos e mergulhamos no que podemos explicar como uma espécie de vazio ideológico, encontramos no consumismo a forma de sanarmos nossas angústias. 

Nas vitrines das grandes lojas não encontramos apenas roupas e sapatos. Encontramos um estilo de vida capaz de nos convencer de que seremos individuais se pertencermos a um grupo identificado com determinado estilo. O bem estar proporcionado pelos produtos não está na sua funcionalidade, mas na sua função social. 

Para Baudrillard, o consumo transformou-se na tônica do mundo contemporâneo. No mundo atual há uma superficialização das relações humanas e o vazio gerado por essa sensação é preenchido pela aparente busca da satisfação de necessidades criadas pelo mercado. Quando na realidade o que está em jogo é a busca do bem-estar, do conforto, do prestígio, e da identificação com determinadas imagens e símbolos. 

Em uma sociedade em que o grau de sucesso pessoal é medido pela demonstração de riqueza, o consumo de bens materiais é a forma de se buscar o desejado status. O “ser” foi superado pelo “ter” e em uma escala ainda maior, é preciso “parecer ter”. 

A compra de um bem considerado importante pelo grupo social ao qual o indivíduo pertence produz uma imediata sensação de prazer e realização, e geralmente confere status e reconhecimento a seu proprietário. Entretanto, essa satisfação é fugaz, e à medida que o objeto de desejo deixa de ser novidade, retorna a sensação de vazio interior. Isso gera um círculo vicioso, pois o consumidor continuará buscando a prometida felicidade, e irá em busca da próxima compra, na esperança de que a satisfação seja mais duradoura e mais significativa. 

Além disso, ainda que a necessidade seja suprida em um primeiro momento com a aquisição de determinado bem, logo surgirão outras necessidades de consumo, ou outros produtos serão colocados no mercado, fazendo emergir tais necessidades. Nessa busca constante pelo sucesso – que pressupõe a aquisição de mais e mais produtos e serviços –, bens supérfluos acabam se tornando essenciais. 

A identificação com determinados modelos e imagens também é um dos grandes propulsores da sociedade de consumo, já que os indivíduos buscam preencher o seu vazio interior através de receitas prontas, postas à disposição no mercado de consumo como se fossem verdadeiras mercadorias.

Na sociedade contemporânea, a felicidade muitas vezes é confundida com a idéia de sucesso. Nesse contexto, para que o indivíduo seja considerado “bem-sucedido” é preciso que possua grande capacidade de consumir bens e serviços – ou, ao menos, aparente essa capacidade. Um alto padrão de consumo é buscado a qualquer custo, em detrimento de valores como as relações humanas, o caráter, a integridade, e a preservação do meio ambiente. 

A sociedade do consumo, portanto, foi moldada sobre as necessidades de satisfação do ser humano – muitas delas criadas por essa própria sociedade. A publicidade soube apropriar-se desses desejos e transformá-los em necessidades. Na era pós-moderna do vazio o que preenche nossa alma ainda é o que colore as vitrines e anima as telas dos televisores.

Cápsulas para consumo N. 39

quarta-feira, fevereiro 1st, 2012

A Comunicação Social na era da Cultura Digital: novos espaços gerando novas formas de consumo e produção.

 

Christyne Rodrigues

 

A comunicação é a base de qualquer sociedade, é a partir da comunicação que formamos vínculos, estabelecemos relacionamentos, produzimos interações, consolidamos os valores sociais.

Existiu um momento em nossa história em que era possível estabelecer a comunicação presencial; mesmo na política ou no comércio, já que a comunicação estava restrita ao alcance geográfico das comunidades de interesse, possibilitando a conversação dialógica. O mundo cresceu, a humanidade multiplicou-se, entrávamos na era das multidões onde não era mais possível a comunicação presencial se quiséssemos alcançar a todos.

Desenvolveram-se então as mídias de massa, que permitiram a transmissão em larga escala, usando-se de tecnologias midiáticas e técnicas de transmissão avançadas. O principal problema desta forma de comunicação era não mais permitir o diálogo; a conversação havia sido suprimida pelos meios. Como consequência desta nova forma de transmissão, surgia a enunciação, onde um falava e todos ouviam. Não havia espaço para a dúvida, o debate ou o diálogo, a sociedade encontrava-se estática, fixa, parada em frente à TV, ou ao lado dos aparelhos de rádio. Restava ao cidadão, aceitar ou repudiar a informação; trocando de canal, procurando outra estação de rádio; mas o mercado estava baseado em regras cada vez mais hegemônicas, standartizando não somente a forma de produção de bens e serviços, como também a forma de produção da comunicação e de seus conteúdos; já não adiantava trocar o canal, pois todos apresentavam as mesmas notícias, nos mesmos formatos.

Quando a tecnologia digital começa a penetrar na sociedade, logo se estabelece a primeira alteração; os telefones móveis trazem consigo o conceito de nomadismo, uma vez que, ao estabelecer uma conexão, os ausentes tornam-se presentes. A dinâmica comunicacional começa a ser reestruturada, mas ainda não havíamos conquistado a interatividade ampla; continuávamos interagindo apenas com nossos amigos, familiares, e pessoas próximas de nós.

Com a disseminação dos computadores pessoais, e mais ainda, com a criação da Web 2.0, conquistamos a possibilidade de ampliar nossa comunicação. Entramos em contato com o mundo e suas diversas interpretações. As formas de interação multiplicaram-se; lembrando que não está se falando aqui de interação reativa, entre humanos e máquinas, mas sim de uma interação mútua, entre duas ou mais pessoas. Desta forma a cada novo espaço criado na rede, cresce a sociabilidade. Pessoas que nunca se encontraram presencialmente, hoje compartilham materiais, opiniões; compartilham inclusive, autorias de produções culturais. A autoria compartilhada é uma forma de relacionamento interativo mútuo, possibilitado a partir do desenvolvimento da “arquitetura da participação”, como é reconhecida hoje a web 2.0, aliada à ferramenta wiki. Por ter proporcionado tamanha transformação nas formas de socialização, é que a web 2.0 deixou de ser apenas encarada como uma tecnologia e passou a representar um marco histórico. Temos a sociedade anterior a ela, e a sociedade que estamos construindo agora, com os recursos que ela nos proporciona. Comunicamo-nos atualmente de várias formas; podemos estabelecer a comunicação um-um, um-todos, ou todos-todos. O que enriquece consistentemente o patrimônio cultural da humanidade; construído a partir da cooperação mútua nas redes, da convergência de conteúdos, da participação ativa dos frequentadores destes espaços, da folksonomia e da liberdade de expressão, apresentando a pluralidade de pensamentos e culturas, de posicionamentos e crenças.

 

“Eu diria que uma sociedade que tem uma cultura participativa é uma sociedade em que, possivelmente, as pessoas são mais incentivadas a falar e trocar ideias umas com as outras. E essa combinação é o que promove o impulso democrático. Não é a tecnologia que faz isso acontecer, e sim, a cultura em torno desta tecnologia. Uma sociedade em que você pode colocar seus pensamentos na rede e ter acesso a ideias de outras pessoas cria um enorme potencial para o avanço da democracia.”

(JENKINS, Henry, 2009)

 

 

A sociedade da cultura digital é pró ativa, é crítica, é participativa; se a televisão não nos permite o diálogo, ok; desenvolvemos debates paralelos através do Twitter; criticando conteúdos, posicionamentos, e até construindo pautas para a televisão, como foi o caso do “cala a boca Galvão”, que a revista Veja retratava em manchete, como: “A Fúria do Twitter”. A sociedade vem desenvolvendo o ciberativismo, que apoiou o projeto ficha limpa, repudiou o assassinato de Neda Agha Soltan, iraniana, 16 anos; e está atenta a todos os processos mundiais, porque está conectada à rede mundial de informação.

A sociedade atual produz seus próprios sentidos, discute valores, constrói novas formas de viver e sustentar-se. Saímos do obscurantismo, do conformismo, da aceitação passiva, para o debate, a troca; assumindo a responsabilidade de construir em conjunto novos caminhos para a humanidade, buscar novas soluções, novos horizontes. Não somos mais os mesmos de 20 anos atrás; é como a pílula azul, que o personagem Neo, da trilogia de Matrix, ingere no primeiro episódio (a pílula do saber). Uma vez conhecido, não pode ser apagado da memória. Sabemos onde estamos, sabemos o que queremos, resta-nos descobrir quais são os caminhos que nos levarão à evolução.