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Viviane Riegel

quarta-feira, outubro 27th, 2010

Leia o perfil de Viviane Riegel, egressa do PPGCOM ESPM (2008-2010):

viviane_riegelSou graduada em administração na ESPM, com especialização em Marketing e Negócios Internacionais. Dentre as diversas áreas possíveis de atuação profissional, foram as atividades relacionadas à comunicação, e ao planejamento de ações de publicidade dirigidas especificamente, que me fascinaram e me motivaram no desenvolvimento de meu trabalho no mercado nos últimos 14 anos. Há quatro anos sou professora na ESPM, e leciono tanto para os alunos da graduação de comunicação quanto de administração. Nesse período, iniciei um mestrado em administração, mas meu interesse realmente não estava mais nessa área especificamente e, portanto, depois de amadurecer muitas das idéias que eu cultivei ao longo dos anos, encontrei no campo da comunicação a possibilidade de iniciar meu processo de investigação científica, vinculando um objeto relacionado à mercadologia e à publicidade, estudando os aspectos culturais e sociais que interferem sobre a sua realidade.

 

Foi dessa forma que cheguei ao mestrado na ESPM em Comunicação e Práticas de Consumo. Desde a graduação, além de disciplinas relacionadas a marketing, eu também busquei conhecer e me aprofundar em temáticas internacionais. Meu interesse específico? Conhecer, investigar e propor reflexões sobre as marcas internacionais. Ao avaliar a questão mais próxima da minha atuação profissional, ou seja, pensando na publicidade relacionada à experiência e à vivência da marca, me detive em um objeto que há algum tempo me interessava: a loja de McDonald´s como espaço de comunicação e sua transformação nos últimos anos. Pensar nos desafios que a publicidade como forma de comunicação das marcas comerciais passa a enfrentar, diante da multiplicação de meios e da concorrência cada vez mais acirrada, é uma forma de discutir questões que são muito recorrentes na minha atuação profissional e no conteúdo de meu interesse acadêmico.

 

Tive uma experiência muito enriquecedora durante o mestrado, para desenvolver o meu interesse de pesquisa. Desde a primeira conversa que tive com meu orientador, Vander Casaqui, ocorreu o encontro do tema com o projeto de pesquisa que ele desenvolve. Dessa forma, além da questão da experiência de consumo, introduzi a questão do trabalho como parte desse espaço comunicado por McDonald´s. Uma das questões mais interessantes durante todas as disciplinas que cursei no Mestrado e os congressos que participei, pude ler muitos autores e dialogar com suas teorias, a partir do meu objeto, além de poder discutir com muitas pessoas, pela visibilidade e mesmo pela polêmica que a marca representa em nossa sociedade.

 

Talvez uma das questões mais relevantes que eu gostaria de destacar sobre o mestrado de comunicação na ESPM é exatamente o brilhantismo da equipe de professores e o conteúdo de alta qualidade de suas disciplinas. Para mim, foi o encontro perfeito da vontade de ampliar os horizontes acadêmicos, profissionais e até pessoais, por meio desse diálogo com profissionais de tanto valor para o campo. Aprendi a gostar ainda mais da pesquisa, e esse é um dos resultados mais marcantes para a minha vida. Na dúvida que talvez eu ainda carregasse antes de entrar nesse programa, eu encontrei a certeza de que o trabalho acadêmico é o meu lugar de satisfação e desenvolvimento. Sinto que por isso, além do projeto de doutorado, que tem sido mais uma grande descoberta, abri várias portas de diálogo com pessoas de diversas áreas e países. Muito mais, tenho certeza de que tanto para minha atuação no mercado publicitário quanto para minha relação com os alunos, sou uma profissional enriquecida por conhecimento e pela constante inquietação, o que me leva a buscar continuamente novas possibilidades e melhores resultados.

Maria Cecilia Andreucci Cury

sexta-feira, setembro 17th, 2010

Perfil de Maria Cecilia Andreucci Cury, egressa do PPGCOM ESPM (2007-2009):

ceciliaComo você chegou até o Mestrado?

Logo no início de minha trajetória profissional, ainda no ensino médio, tive a oportunidade de trabalhar numa multinacional de bens de consumo, que me abriu para outro mundo. Foi nela que pude entender – ainda que com uma visão bastante limitada – o que era uma empresa, o fenômeno globalização, o papel do marketing e da comunicação publicitária na geração do consumo, e principalmente que existia uma entidade chamada “consumidor”. Essa descoberta veio a influenciar minhas escolhas e deu um norte à minha formação.

Cursei administração de empresas, na PUC do Rio de Janeiro, e continuei minha carreira. Vi-me trabalhando com a comunicação publicitária, sem necessariamente ter uma formação para esta função. A pós-graduação lato sensu em marketing foi um primeiro movimento de educação complementar.

Os quinze anos seguintes foram caracterizados por experiências na estratégia e comunicação – de fumaça a fogão, de cerveja a geladeira, passando por comércio, agência e moda. E também por muitos cursos de especialização no Brasil e no exterior. Neste caminho, fui percebendo que só a Administração não atendia mais as minhas demandas de conhecimento.
Mesmo sem ter clareza de meus objetivos, fui amadurecendo a idéia de voltar à academia. Foram meses pesquisando programas de pós-graduação em São Paulo. Internet, visitas, indicações… Muito rapidamente entendi que a profundidade que buscava, só encontraria nos programas stricto sensu. Na ESPM, descobri um novo programa de mestrado, que conciliava a reflexão sobre a comunicação e as práticas de consumo, tendo como pano de fundo os estudos sociológicos e filosóficos. Atendia exatamente minhas expectativas e me levava para um campo mais apropriado de reflexão.

- O que você achou do Mestrado?

Após prova, entrevista e aprovação, optei por me dedicar exclusivamente ao programa [boa parte dele], garantindo um tempo raro nos dias de hoje para leitura de base e a participação plena em todas as atividades obrigatórias e complementares. Esta dedicação integral implicava no afastamento momentâneo do mercado de trabalho. Hoje, olhando em retrospectiva, tendo acreditar que este movimento foi fundamental para o meu entendimento, não só do meio acadêmico, como também do campo da comunicação. Foi, antes de tudo, um choque cultural, nos seus aspectos positivos e negativos [mas que valeu muito a pena!].

Esta dedicação quase exclusiva trabalhou a meu favor. O corpo docente se mostrou extremamente comprometido, não só com a construção de um programa de mestrado referência do campo da comunicação, como também com a formação e amadurecimento acadêmico dos mestrandos. Foi um período de grandes encontros – com autores, professores, palestrantes, novos amigos e conhecimentos. Encontros estes que potencializaram, antes de tudo, minha energia.

Uma nova visão de mundo

É comum ser questionada sobre como o mestrado contribuiu para a minha vida profissional. Acredito que houve, sem dúvidas, um reflexo positivo. Seria, contudo, leviano tentar reduzir esta análise a uma área apenas de minha vida. O mestrado foi mais que um programa de educação científica. Ele me aparelhou com uma nova lente, que alterou toda minha forma de ver e viver.

As ciências da comunicação têm o desafio de trabalhar a “convergência de saberes”, o que obriga o estudioso deste campo a estar aberto para diferentes perspectivas sobre um mesmo objeto, ampliando em muito nosso campo de visão, nosso horizonte.

Entender o consumo como “um modo específico de socialização que passa para a mentalidade, para a ética e para as ideologias cotidianas” (Baudrillard apud Barros Filho, 2003) nos faz refletir a sociedade contemporânea, não apenas como profissional, mas como sujeito, consumidor e cidadão.

Depois do mestrado, o problema é querer parar de estudar. Vira um vício. Já penso num doutorado, mas isto é outra história ; -) 

Referência

BAUDRILLARD apud BARROS FILHO, C. [meu querido orientador]. Ética na Comunicação. São Paulo: Summus, 2003.

Marina Pechlivanis Koutsantonis

terça-feira, agosto 31st, 2010

Leia abaixo o perfil de Marina Pechilivanis, egressa da primeira turma (2006-2008) do PPGCOM ESPM:

marina1- Como você chegou até o Mestrado?
Sempre gostei de estudar e estava em busca de uma pós-graduação na área de comunicação para sofisticar os conhecimentos e trazer novas referências para a propaganda e o marketing promocional, minha área de atuação.
Curiosa e sinergicamente alguns de meus mentores intelectuais indicaram o novo curso da ESPM, onde fiz meu bacharelado e onde, por diversas vezes, apresentei cases de mercado para os estudantes.

- O que você achou do Mestrado?
Uma excelente oportunidade de mergulhar na teoria para melhor entender o mercado e a realidade que nos abarca, com um corpo docente altamente qualificado e dedicado e uma equipe de apoio empenhada e profissional. São dois anos intensos, com muita leitura, muito estudo, muitos trabalhos, muita participação em eventos acadêmicos. Sem contar os exigentes processos de qualificação e preparo da dissertação, que requerem envolvimento e comprometimento de orientadores e mestrandos.
Como participei da primeira turma, sei o quanto todos (corpo docente e discente) se envolveram para efetivar o stricto sensu na ESPM, validando o curso junto aos órgãos legitimadores de ensino.

- O que você levou do Mestrado?
Uma nova forma de enxergar o real.
A visão da prática é efetiva, estuturada nas construções do dia-a-dia de negócios. Já a teoria tece um suporte para estes fatos e atos, historicizando-os. Alinhava as entrelinhas do agora, tornando-o mais tangível. E permite que novos alicerces sejam lançados para romper os paradigmas de um modus operandi congelado pelas regras do mercado.

Baudrillard, Maffesoli, Canevacci, Morin, Popper, Sfez, Harvey, Sarlo, Mattelart, Canclini, Bakhtin, Rybczynski, Bauman, Baccega… e tantos outros novos mestres, que inspiraram a procura por outros tantos, cada qual colaborou com um modo distinto de refletir e refratar sobre as coisas como são. Este processo de imersão abre os horizontes intelectuais e estimula a liberdade criativa, tornando mais consistente o processo de “empreender” no planejamento e implementação, por exemplo, de campanhas de comunicação e marketing.

Aos que crêem repousar a teoria nas páginas encadernadas da pesquisa, revejam seus conceitos. Trago-os em minhas apresentações e criações de campanhas na Umbigo do Mundo; nas aulas e palestras que ministro; no livro que escrevi sobre Gifting, logo após o mestrado; e principalmente nos artigos que escrevo para publicações como Revista Marketing e as virtuais Mundo do Marketing e Promoview.

Em tempo, e abordando o network que os saberes proporcionam, cabe dizer que levei desta experiência também novos amigos, um grupo inteligente e produtivo que me faz lembrar o quanto ainda há por aprender e fazer neste imenso mar de  informações e possibilidades.

Juliana de Assis Furtado

segunda-feira, agosto 2nd, 2010

Perfil da egressa do PPGCOM, Juliana de Assis Furtado:

julianaQueria ser escritora. Tudo começou com o gosto pela leitura, incentivada desde cedo em casa e também no colégio, onde descobri a paixão pela língua portuguesa. Quando finalmente aproximou-se o vestibular, após uma grande indecisão, a preferência pela área de humanas foi tomando forma, consolidando o que a trajetória dos estudos já indicava. Nesse momento de busca, percebi na publicidade um nicho onde eu poderia desenvolver a criatividade e fazer o que eu mais gostava: escrever.

Depois de um duro ano de cursinho, passei onde eu mais queria: o curso de  Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da ECA – USP. No início conturbado pela falta de professores e pelas típicas greves, o período que passei na ECA valeu a pena. Lá, tive contato com grandes professores, como Francisco Platão Savioli, que ministrava a matéria Língua Portuguesa – Redação e Expressão Oral e João Anzanello Carrascoza (meu futuro orientador do mestrado), nas aulas de Redação Publicitária. E foi assistindo a elas que tive a certeza: queria ser redatora. O mundo dos filmes e anúncios me conquistava, e eu desejava estar por trás daquelas criações, que acompanham as pessoas no seu dia a dia, que elas lêem, assistem e comentam, que vendem produtos, mas ao mesmo tempo entretêm.

O primeiro contato com a produção acadêmica também aconteceu nesta época, quando desenvolvi, sob a orientação do professor Carrascoza, o trabalho de conclusão de curso “Os anúncios de oportunidade: uma estratégia criativa que até Freud explica”. O trabalho de pesquisa, associado ao desenvolvimento do pensamento científico, foi enriquecedor, e o resultado, recompensador: aprovação da banca com nota 9,5. Com este trabalho, em 2003 fui finalista do Prêmio Intercom. Fui até Belo Horizonte apresentá-lo na PUC, minha primeira experiência em um congresso. Adorei.

Enquanto isso, iniciava minha carreira em agências de publicidade. A primeira foi a JWT, até minha formatura na ECA, seguida pela QG, a McCann Erickson – onde passei de estagiária a redatora junior e depois a redatora sênior.

Em 2005, apesar de vivenciar esse crescimento na carreira, alguma coisa parecia estar faltando. Era a vontade de voltar a estudar que surgia, vontade de continuar algo começado na universidade. Assim, comecei a pensar na possibilidade de um curso no qual eu pudesse desenvolver um tema ligado ao meu trabalho (a redação publicitária), aprofundando-me em novos conhecimentos que fossem além do dia-a-dia da agência: o curso de mestrado. Foi então que eu soube do processo seletivo do Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing, de cujo programa faziam parte dois professores que eu já conhecia dos tempos da graduação na ECA – Prof. Dr. João Carrascoza e Profa. Dra. Maria Aparecida Baccega –, e comecei a desenvolver o projeto “Porque eu sou é homem: a representação do masculino na publicidade brasileira na década de 1970 e nos anos 2000”.

Foram dois anos muito intensos. Na época eu já trabalhava na DeBrito Propaganda, e saía duas vezes por semana de tarde para as aulas na ESPM. Dependendo do dia, voltava depois da aula para a agência e trabalhava até mais tarde para dar conta de entregar tudo em dia. No mestrado tive oportunidade de, novamente, conviver com professores brilhantes, que só contribuíram para o meu crescimento intelectual. O incentivo à produção acadêmica discente fez com que eu participasse em 2007 do II Seminário Intermestrandos em Comunicação (na própria ESPM); do III Enecult – Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, na UFBA, em Salvador; do Intercom – XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado na UniSantos e do VIII ENIL – Encontro Nacional de Integração em Linguagem Verbal e Não-Verbal, na FFLCH – USP.

Logo que terminei o curso, em 2008, apresentei no Congresso Iberoamericano de Estudios de Género, em Rosário, na Argentina, um artigo “filhote” da minha dissertação. Foi meu primeiro congresso internacional. Participei também com outro “filhote” do IV coMcult – Congresso Internacional de Comunicação, Cultura e Mídia, realizado no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Em 2009, foi a vez de dois artigos que fugiam do tema da minha dissertação e abordavam o entretenimento na publicidade. “Coelhos na cartola: publicidade e entretenimento na campanha de Sony Bravia” foi apresentado no III Encontro ESPM de Comunicação e Marketing e “Consumo invisível: o entretenimento na publicidade contemporânea”, escrito em parceria com Maria Cristina Dias, também egressa do programa de mestrado da ESPM, foi aceito no XIII Encuentro Latinoamericano de Facultades de Comunicación Social – FELAFACS, em Cuba. Não pude estar presente na terra de Fidel e Che, mas a Cris nos representou muito bem. O artigo “Coelhos na cartola” acabou de ser publicado na revista Rumores, da USP.

Dois artigos escritos em parceria com o professor Carrascoza também já foram publicados: “O pensamento estruturalista e as teorias de comunicação”, na revista Comunicação, Mídia e Consumo, e “Rebelde: estratégia mercadológica de rizoma e tática discursiva de árvore”, na revista Comunicação & Educação. Aos poucos, a visão um tanto deslumbrada da época da universidade sobre o mundo publicitário deu lugar a um posicionamento crítico, em constante construção.

Em junho de 2010, a convite da ESPM, participei do Papo de Mestre, uma conversa deliciosa entre egressos, professores e os atuais alunos do mestrado, que procurou esclarecer a trajetória dos egressos para os que agora vivem esse momento em suas vidas, uma verdadeira troca de experiências. Senti orgulho de fazer parte da primeira turma deste curso e ver que ele continua a crescer, a formar novos acadêmicos e buscar a excelência em cada ação a que se propõe.

Continuo a trabalhar como redatora em agência de publicidade e a participar dos eventos acadêmicos sempre que posso – nos últimos meses, me dividi entre a agência e o desenvolvimento de um novo artigo para o Intercom 2010, que se realizará em setembro. A “vida dupla” é difícil, mas também duplamente gratificante.

Aquela semente plantada na graduação, o mestrado só fez crescer. O gosto pela pesquisa, o pensar em um tema, desenvolvê-lo, apresentá-lo, discuti-lo e vê-lo publicado em um periódico. É um trabalho árduo, um “sofrer por opção”, que ao final de cada trabalho traz uma satisfação imensa. As angústias sempre vão existir. As dúvidas sobre o objeto, o socorrer de um professor (e Carrascoza continua a ser meu mentor), a seleção do corpus, a busca pelas teorias, a descoberta de caminhos. A cada artigo escrito, apesar da bagagem que se acumula, o processo recomeça. E é essencial. Porque como disse Guimarães Rosa, na frase que abriu a minha dissertação, “A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”.