Posts Tagged ‘história’

Cápsulas para consumo N. 34

quarta-feira, fevereiro 1st, 2012
Apontamentos para uma história da propaganda no Brasil.

David A. Castro Netto[1]

 

É possível fazer uma História da Propaganda no Brasil? Essa é a pergunta que teremos em mente no decorrer deste ensaio. Evidente que existem livros, muitos livros, que tratam do assunto e cobrem o período antes mesmo do surgimento do que foi considera a primeira agencia de propaganda nacional (a Eclética) no início do século vinte.

O que este ensaio procurar indagar é a ausência de historiadores de ofício na participação da construção desta história. Explico. Grande parte da literatura especializada no assunto é oriunda das próprias agências de publicidades, escritas por seus diretores, produtores, redatores ou diretores de criação. É possível citar grandes trabalhos que resgatam a história da propaganda em nosso país, mas o fazem, muitas vezes, a maneira dos memorialistas, ou seja, constroem uma história muito ligada às suas lembranças e, muitas vezes, sobrevalorizando o período em que atuaram e perdendo de vista o processo histórico no qual estavam inseridos e como este processo histórico influenciou a produção da própria propaganda, uma vez que os publicitários, independente de qual setor atuem, estão imersos em uma sociedade e essa sociedade tem momentos importantes que podem ser percebidos na propaganda.

Existem alguns exemplos dessa interligação: Anúncios que apoiaram a Revolução de 1932, anúncios que faziam questão de mostrar que o desenvolvimento de seus produtos estava ligado ao próprio desenvolvimento do Brasil (como os dos anos Juscelino Kubitschek).

Ainda é possível observar a própria modernização do país, acelerada nos anos de 1930 – 1980, observando os anúncios e os produtos que ali eram apresentados. Enquanto o modo de vida, sobretudo o alimentar, da sociedade brasileira era alterado, com a presença em massa de produtos industrializados, como os alimentos enlatados, em conserva, a troca do uso da “banha” pelo óleo industrializado, a propaganda tinha o trabalho de mostrar que esses novos produtos eram tão bons ou melhores quanto os produtos caseiros que estavam sendo substituídos. No campo da vestimenta, o célebre anúncio das “Calças Nycron”, o famoso “senta, levanta, senta, levanta” é outro exemplo de percepção deste processo.

O período citado (1930 – 1980) é o marco da aceleração da modernização do Brasil. Este período engloba momentos distintos e importantes da história nacional, temos a ascensão e morte de Getúlio Vargas, o “governo de metas” de Juscelino, o frustrante governo de Janio Quadros, a queda de Goulart, o golpe civil-militar e o processo de abertura iniciado em 1974.

Que papel a propaganda brasileira teve frente a esses períodos? Qual o tipo de influência ela sofreu? E que tipo de influência exerceu?

Esses momentos são importantes até mesmo na construção da própria história da propaganda. Para citar alguns exemplos, o CONAR, foi criado mediante a tentativa da ditadura em aplicar uma espécie de censura a toda propaganda; ainda é possível destacar o surgimento das primeiras entidades de classe (APP) nesse período; o nascimento da primeira escola de propaganda do país; as primeiras premiações no Festival de Cannes e a “virada” no ranking nacional de agências, em 1974, quando as agências brasileiras assumem as primeiras posições, utilizando como grande “aliado” as contas do governo, também fizeram parte desse período.

Qual a relação, ou quais as possíveis relações entre a História e a Propaganda? A princípio, o papel da história deve ser inserir a propaganda na própria lógica do processo histórico e quais as influencias que esse processo teve sobre a mesma. Nesse trajeto algumas perguntas podem ser respondidas, tais como, que tipo de relação a propaganda estabeleceu com o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) de Getúlio Vargas? Como reagiu frente ao golpe civil-militar? Ou, ainda, ajudar a responder questões ligadas a própria propaganda: Como esse processo de modernização (política e econômica) afetou diretamente a sociedade, dando início a uma sociedade de consumo, que por sua vez afetou a propaganda de maneira que os donos de agência de publicidade, anunciantes e veículos se depararam com a necessidade de criar uma Escola de Propaganda.

Outra questão importante a ser apresentada é que o trabalho do historiador pode ser valer dos trabalhos de cunho memorialista que existem, de muita qualidade, porém, podemos localizá-los mais adequadamente, retirando, assim, supervalorizações que possam ocorrer e desnudar processos que até então estavam obscuros. Novamente, ainda sobram questões, por exemplo, qual o papel do CNP (Conselho Nacional de Propaganda – criado na primeira metade dos anos 1960) a primeira vista, como apresenta Nelson Varón Cadena, é o início de uma aproximação entre a ditadura e as agências de propaganda, até onde foi essa aproximação? E, mais, ficou restrita apenas a este órgão? São questões que a propaganda, aliada a história, podem resolver.

Por fim, é necessário dizer, essa interlocução história/propaganda traz bons frutos, mesmo que nem tudo que se descubra seja glorioso (como o possível apoio ao regime civil-militar), mas também poderemos ir além da própria História da Propaganda e entender melhor a própria História do Brasil.

 


[1] Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Maringá – UEM. Docente da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campus Coxim. E-mail: daviufms@gmail.com

Novo livro: organizado pelo Prof. Vander Casaqui

segunda-feira, junho 6th, 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO:
 “TRABALHO EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA: história, formação profissional, comunicação e imaginário”

Está sendo lançado neste mês o livro “Trabalho em publicidade e propaganda: história, formação profissional, comunicação e imaginário” (Editora Atlas), organizado pelo professor Vander Casaqui, do PPGCOM-ESPM, juntamente com Manolita Correia Lima (Docente do Mestrado em Gestão Internacional – ESPM) e Viviane Riegel (mestre pelo PPGCOM-ESPM), e que conta com a colaboração de João Anzanello Carrascoza (docente PPGCOM-ESPM), Roseli Aparecida Figaro Paulino (ECA-USP) e Fernanda Elouise Budag (PPGCOM-ESPM), além do prefácio do publicitário Ruy Lindenberg. Abaixo estão o sumário e uma sinopse da obra.

ATENÇÃO: até o dia 19/6/11, o livro está sendo vendido com desconto no site da editora Atlas (www.editoraatlas.com.br , procurar em “Lançamentos”). O preço do livro é R$ 45,00 – na promoção de lançamento está com desconto de 30% para professores e 20% para demais consumidores.

Em breve serão informadas as datas e locais do lançamento em eventos específicos; a primeira oportunidade será durante o II Pró-Pesq, Encontro Nacional de Pesquisadores em Publicidade e Propaganda, a ser realizado na ECA-USP, nos dias 30/6 e 1/7/11.

Capa do livro: Trabalho em Publicidade e Propaganda

Capa do livro: Trabalho em Publicidade e Propaganda

CASAQUI, Vander; LIMA, Manolita Correia; RIEGEL, Viviane (orgs.). TRABALHO EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA: história, formação profissional, comunicação e imaginário (São Paulo: Atlas, 2011)

SUMÁRIO

Prefácio
Apresentação: veredas de uma obra coletiva
Cap. 1: E o vento mudou… as transformações do trabalho publicitário (João Anzanello Carrascoza), 1
Cap.2: Publicidade imaginada: a visão dos estudantes sobre o mundo do trabalho publicitário (Vander Casaqui, Viviane Riegel, Fernanda Elouise Budag), 31
Cap.3: Perfil sociocultural dos comunicadores: conhecendo quem produz a informação publicitária (Roseli Aparecida Figaro Paulino), 75
Cap. 4: A (In)Competência Diplomada (Manolita Correia Lima), 111
Anexo – Lei no 4.680, de 18 de junho de 1965, 177
Nota sobre os colaboradores, 181

SINOPSE

O trabalho publicitário tem importância incontestável em nosso tempo. Vivemos em uma sociedade de consumo, e os discursos que revestem as mercadorias são ofertados a nós, consumidores-cidadãos, a todo momento. A esfera de produção desses discursos envolve uma série de questões que a transcende: trabalhar com publicidade é estar em contato com o uso da linguagem, com as complexas relações entre produção e consumo, com as precariedades e o imaginário do mundo do trabalho. Nesta obra, o leitor tem contato com pesquisas que abrem novas perspectivas em relação a esse universo.
O primeiro capítulo, desenvolvido por João Anzanello Carrascoza, apresenta de forma poética uma perspectiva histórica sobre o fazer publicitário, em que vemos as transformações da atividade através dos tempos, em compasso com as mudanças da sociedade até a consolidação da sociedade de consumo em que vivemos. No capítulo seguinte, Vander Casaqui, Viviane Riegel e Fernanda Budag reúnem resultados de pesquisa realizada com estudantes publicitários, que permitem mapear o que está envolvido nas escolhas da profissão: consumo, entretenimento, diversão, mas também obstáculos, dificuldades, privações.
O mundo do trabalho contemporâneo e seus desafios emergem das vozes dos jovens que se capacitam para a inserção no mercado profissional. Um retrato da profissão é elaborado com base na pesquisa de Roseli Figaro, realizada com publicitários já inseridos no mercado. Revelam-se os problemas, os questionamentos, as condições e obstáculos enfrentados, e também as expectativas e opiniões dos comunicadores.
Por fim, a formação profissional e a regulamentação da atividade publicitária são colocadas em pauta pela investigação de Manolita Correia Lima, que põe em discussão questões polêmicas e bastante atuais sobre a comunicação, seu papel social, os embates legais em torno da produção midiática e, em perspectiva ampla, a formação acadêmica em nossa sociedade.
Obra indicada como bibliografia complementar para disciplinas introdutórias que tratem das questões do mercado publicitário, bem como para cursos que contemplem os aspectos socioculturais e históricos da atividade publicitária – nesse aspecto, o interesse da obra contempla professores e estudantes de graduação e pós-graduação, assim como pesquisadores da área de comunicação e profissionais que desempenham atividades relacionadas a publicidade e propaganda.

Revista Vivência do CCHLA/UFRN – no. 38

quarta-feira, maio 25th, 2011

Já está disponível para leitura e download o novo número da Revista
Vivência do CCHLA/UFRN pelo link:
http://www.scribd.com/fullscreen/55968700?access_key=key-2096t1yg72um4w78sst2

Nesta edição os editores convidados são Maria Érica de Oliveira Lima e Sebastião Guilherme Albano Costa e o tema: a Modernidade na América Latina.

Este número da Vivência glosa uma efeméride histórica bastante propagada em 2010 e 2011. Trata-se de um arco temporal mais ou menos convencional para recordar os 200 anos de inícios das revoluções de independência das colônias ibéricas no Novo Mundo, deflagradas, talvez, pela invasão da Espanha por Napoleão, o que em seguida se estenderia a Portugal.
Nossa intenção neste dossiê é enfeixar textos que reflitam sobre esse fenômeno direta ou indiretamente, que tangenciem, por exemplo, o fato de que os eventos históricos ocorridos na Europa ou em outros países centrais do concerto internacionalsempre reverberaram para além de seus limites territoriais físicos.

Esse dado implica dizer, parafraseando Marx, que a modernidade sempre foi um projeto expansivo. Admitimos desde logo que a chamada América Latina é uma espécie de fronteira da Europa, territorialmente no período das colônias e institucionalmente (dos regimes políticos aos idiomas dominantes) após as independências. Com efeito, alude-se em mais de um texto compendiado aqui que a descolonização política transmutou-se em novas modalidades de dependência, uma vez que o formato da sociedade moderna foi delineado ao longo dos últimos cinco séculos e parece haver deslanchado com as grandes navegações exploradoras e a catequização, empresas consagradas com o encontro com o mundo ameríndio em 1492, mas que ainda não supôs um encerramento. No plano das ciências sociais e humanas contemporâneas adotadas como algumas das epistemes legitimadoras desse arranjo histórico, as reflexões que se alinham nesta edição da Vivência afiançam a proliferação do ideário europeu.
Como nos concentramos, sem ensejo restritivo, no denominado campo da comunicação, que é antes de qualquer coisa um horizonte, termos como espaço público, cultura popular, mídia etc. mantêm uma regularidade nos estudos coligidos e conotam a ascensão de um aparato conceitual que dá conta dos modos de reflexão sobre os fenômenos modernos encubados na Europa, mas que ascenderam a definidores das relações sociais do mundo contemporâneo.
Dessa maneira, tentamos relativizar tanto a ideia de uma globalização recente, de cunho econômico apenas, ao publicar textos que explicitam o caráter transnacional das práticas sociais advindas com as instituições formadas ao início da era moderna, como damos conta da amplidão do temário da Comunicação Social, que abarca discursividades, isto é, sistemas de expressão com lastro retórico, e ciências aplicadas cujo modo de significação não obedece a textos, a argumentações etc., e sim a um esquema anexado às tecnologias. Deve-se salientar que consideramos essas últimas em uma de suas acepções atuais, técnicas que visam a uma adaptação aos moldes da indústria da informação, da comunicação, do conhecimento e do entretenimento.
Portanto, este número da Vivência enseja participar de um esforço de crítica ao logocentrismo remetendo-se constantemente a ele sob diversos prismas.

Sebastião Guilherme Albano da Costa
Maria Érica de Oliveira Lima

Interin – nº 10

sexta-feira, fevereiro 18th, 2011

Está publicado o nº 10 da Revista Interin, Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da UTP, no endereço: http://seer.utp.br/index.php/vol10/index.

Este número inaugura uma nova fase da publicação, que permitirá a sua indexação aos principais indexadores latino-americanos e internacionais.

O dossiê temático sobre “Comunicação e História” reune artigos de diversos pesquisadores nacionais e internacionais.