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Guerra e Paz, de Portinari, em São Paulo

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

08/02/2012

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Foi aberta nesta terça-feira (07/02) a visitação pública da exposição Guerra e Paz, de Portinari, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

A exposição apresenta, pela primeira vez em São Paulo, os dois últimos e maiores murais pintados por Candido Portinari (1903-1962), Guerra e Paz, que passaram por um minucioso trabalho de restauro, realizado entre fevereiro e maio de 2011 em ateliê aberto ao público no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

Encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York, os painéis estavam localizados no hall de entrada da Assembleia Geral e eram de acesso restrito aos delegados das nações. Nem mesmo durante as visitas guiadas à ONU as obras podiam ser vistas pelo público, por razões de segurança.

Com a realização de uma grande reforma no edifício-sede da ONU entre 2010 e 2013, o Projeto Portinari, que cuida do legado do artista, conseguiu a guarda dos painéis para restaurá-los e promover sua exposição no Brasil e no exterior nesse período.

Para marcar o retorno dos painéis ao país, as obras foram reapresentadas no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em dezembro de 2010, 54 anos depois da primeira e única vez que o público brasileiro e o próprio Portinari tiveram a oportunidade de vê-las antes de serem embarcadas para os Estados Unidos.

Na época, os Estados Unidos não permitiram a ida de Portinari para a inauguração dos murais devido às ligações do artista com o Partido Comunista.

Antes de seguirem aos Estados Unidos, o empresário e mecenas ítalo-brasileiro Francisco Matarazzo Sobrinho (1898-1977), mais conhecido como Ciccillo Matarazzo, cogitou trazer os murais para São Paulo, terra natal de Portinari, para apresentá-las ao público paulista. Porém, seu desejo acabou não sendo concretizado.

“Não sei como expressar a felicidade que estou sentindo por apresentar Guerra e Paz pela primeira vez ao público paulista após o restauro das obras e também pela oportunidade de levá-las a outros países onde há grandes embaixadores do Brasil do nosso amor pela arte, da nossa vocação pela paz, pela fraternidade e pelo respeito às diferenças”, disse João Candido Portinari, filho do artista e fundador e diretor do Projeto Portinari na abertura da exposição para convidados, realizada na segunda-feira (06/02).

Guerra e Paz são a síntese de uma vida inteira comprometida com o ser humano. Sua pintura, como sua militância política, levantou-se contra as injustiças, a violência e as misérias do mundo”, disse João Candido.

Os murais medem, cada um, 14 metros de altura e 10 metros de largura e são compostos, ao todo, por 28 placas de madeira compensada naval, com 2,2 metros de altura por 5 metros de largura, que pesam 75 quilos cada uma. A área total pintada, uma superfície de 280 metros quadrados, é maior do que a do Juízo Final, de Michelangelo, na Capela Sistina, na Itália.

7º Seminario Imagens da Cultura/Cultura das Imagens

terça-feira, maio 17th, 2011

O 7º Seminario Imagens da Cultura/Cultura das Imagens (cooperação ERASMUS) será realizado entre 15 e 18 de agosto de 2011.
Neste ano o evento tem como instituição anfitriã a Universidade Presbiteriana Mackenzie, em Sao Paulo, Brasil.
Trata-se de um evento promovido pela rede de pesquisadores intitulada RED_ICCI composta de pesquisadores da  Europa, América Latina e Africa que, por sua vez, assume conjuntamente a organização dos Seminários e a dinamização dos diversos grupos locais de pesquisa com vista à realização e apresentação de projetos de investigação conjuntos, a criação de Grupos de trabalho no Seminário, e à apresentação dos trabalhos publicados no intervalo entre seminários.
Obtenha maiores informações e receba os boletins cadastrando-se no site:
http://openfsm.net/projects/imagens-da-cultura-cultura-das-imagens/summary
O 7º Seminário se organizará em torno de grupos temáticos abaixo relacionados e contará também com uma mostra de filmes realizados pelos seus participantes.

GRUPOS DE TRABALHO

- Teoria, Metodologia e Tecnologia da Imagem
- Imagens e Cultura de Consumo
- Cinema e Sociedade
- Cultura Visual e Sonora
- Espaço, Modos de Vida e Antropologia Visual
- Cultura Digital

Contato da Coordenação Geral: imagens.da.cultura@gmail.com

A criação do homem pela imaginação

segunda-feira, março 28th, 2011

Palestra “A criação do homem pela imaginação” com Christoph Wulf hoje, 28 de março de 2011, às 18h na PUC-SP, sala 239.

Na cultura visual da modernidade as imagens ganharam um novo significado. Com o apoio dos meios de massa elas invadiram todos os setores da vida humana, exercem sua influência e têm papel central para o entendimento do presente. O que é uma imagem é uma questão decisiva hoje. Como são usadas as imagens? e O que fazem as imagens conosco?, igualmente se colocam no centro de nossas preocupações, depois que o pictorial turn nas ciências humanas conferiu às imagens uma nova atenção. Imagens se constituem entre o visível e o invisível e apontam para a dinâmica e a performatividade da imaginação. A imaginação é uma condição humana, sem a qual o homem não seria homem, nem filogeneticamente, nem ontogeneticamente.  A imaginação é a energia que une o homem ao mundo e o mundo ao homem. Ela tem a função de unir a vida interior com  a vida exterior.

Christoph Wulf é Professor de Anthropologia e Educação e um membro do Interdisciplinary Center for Historycal Anthropology, do Collaborative Research Centre (SFB) “Cultures of Performance,” do Cluster of Excellence “Languages of Emotion,” e da Graduate School “InterArts” na Freie Universität Berlin.

A palestra terá tradução simultânea para o português.

Cápsulas para consumo – N. 7

quarta-feira, outubro 13th, 2010

Fotografias … o consumo da imagem: antigos hábitos … novos modos.

Marcia Perencin Tondato

Por um tempo não se escrevia mais cartas e deixavamos de ter notícias de pessoas conhecidas, familiares. A distância geográfica resultava em desconhecimento dos rumos tomados por entes queridos, ou nem tanto. Claro, como opção às missivas, um hábito relegado aos mais românticos, existia o telefone. Mas ligações interurbanas eram caras e muitas vezes perdia-se também esta possibilidade de contato pelas mudanças dos números, ou movimento das pessoas. De repente, resgatamos o antigo hábito da escrita de mensagens, às vezes verdadeiras cartas, com os emails. Por meio dos sites de busca. Surge a possibilidade de contatos inéditos, descoberta de pessoas com interesses semelhantes. Entro no Google, digito um nome e tenho pistas para o início de uma garimpagem, recuperamos contatos, ou pelo menos, pistas do paradeiro de conhecidos. E na seqüência, as redes sociais possibilitam não só o contato, mas um contato “organizado”, em grupos, por critérios, que agilizam as relações, classificam os sentimentos. Ou seja, é retomado o hábito da escrita, ainda que num novo formato. Com abreviações, erros gramaticais e de grafia (sem problemas (sic), afinal, todos sabemos que as msgs tem q ser digitadas rápida/e), com ‘modernidades’, neologismos, internetês, mas retoma-se o hábito do contato por escrito.

O mesmo se deu com a fotografia. Nossos pais e nossos avós, principalmente, guardam com carinho e orgulho fotos amareladas, lembranças de bons momentos, relíquias de família. Tinha o lambe-lambe, depois as máquinas Kodak preto e branco, os slides (o projetor de slides, as reuniões pós-viagens, a organização das memórias), os álbuns de fotografia (com aquela invariável foto sua “como veio ao mundo”, ou do primeiro carro da família, com todos ao redor, com roupa de domingo). Mas então, o preço da revelação fica proibitivo e este hábito vira hobby, coisa de aficcionados. Registrar bons momentos? Só os mais especiais – casamentos, nascimentos, batizados, formaturas e mesmo assim por meio do trabalho de profissionais. Como opção para quem tinha um pouco mais de recursos, a filmadora de vídeo, fonte de boas risadas nas ocasiões de confraternização da família.

Eis que surge então a foto digital, as máquinas digitais, que não necessitam filmes, portanto, não necessitam revelação E ainda com a opção de impressão (a antiga revelação), defendida pelas pessoas ainda com raízes no papel. Mas para que? Ninguém mais se reúne para ver fotos, todos colocam todas nos blogs, páginas em sites, redes, publicizando (sic) o quão felizes são, quantos amigos têm, quanto a vida é legal (como nos happy ends, afinal temos uma propensão natural para a felicidade (Baudrillard)).

Pela facilidade tecnológica, tudo vira motivo para uma foto, um sorriso, o pentear dos cabelos, mas o importante é ter muita gente ao redor. Já não se fotografa a paisagem, isso é filmado, o importante é fotografar amigos, gente com quem você está, ou esteve. E me torno cada vez “mais legal” dependendo de quanto apareço nas redes. De quanto consumo de relações sociais. De quanto exponho “de mim” e quem é esta pessoa exposta. A preocupação com o Outro sempre existiu, e sempre existirá e assim deve ser, pois é no Outro que nos completamos. Porém, em um tempo em que as identidades eram mais coletivas, a família era o aspecto basilar e a preocupação era de ordem moral: “o que vão pensar da família?”. Daí a foto retocada, todos com ares aristocráticos. Os homens de terno e gravata, as mulheres “bem compostas”. Em tempo de identidades fragmentadas, individualizadas, a preocupação é com “o que vão pensar de mim”, da empresa onde trabalho. E isso a partir das companhias com quem ando (das redes das quais participo, das comunidades em que apareço) e da estética das fotos que ‘posto’.

Uma análise rápida e despretensiosa das centenas de fotos a que temos acesso nas redes e dezenas de blogs que somos convidados a visitar, de pessoas nossas conhecidas (ou que querem ser nossos ‘amigos’), revela, no mínimo, diferenças de gerações. Vamos lá: pessoas mais jovens preferencialmente aparecem em close, fazendo caras e bocas, as garotas em fotos reflexos de uma era de “eu quero ser top model”, ou em grupos, ou pares (anunciando “olhem só, não estou sozinho(a)). Quando não, junto a logotipos das empresas em que trabalham, provavelmente o primeiro emprego, que mostram com orgulho, dizendo “olha onde estou”. Ou então, são retratos de meio-rosto, de costas, impossibilitando o reconhecimento, numa declaração de “estou aqui, me mostro ao mundo, mas apenas parte de mim”. Já a geração mais ‘madura’ se mostra em fotos ambientadas, fotos aparentemente feitas em viagens, só faltando a legenda “olha só onde estive”. Claro que raramente consegue-se identificar o local e à vezes nem a pessoa, pois esta se mostra ‘ao longe’ (um truque para disfarçar as marcas do tempo?).

Tanto as fotos retocadas, amareladas, dos nossos avós e bisavós, quanto as fotos “instantâneas-produzidas”, publicadas nos blogs e redes, poderiam ser interpretadas como “transformação das pessoas em mercadoria” (Bauman) tendo em vista que denotam práticas de registro de imagens de pessoas “para consumo”. As fotos amareladas na parede da sala de visitas serviam para mostrar a tradição da família, o quão respeitáveis eram seus antepassados. Da mesma forma que as fotos nos blogs e redes fazem parte dos perfis publicados. Entretanto, não acredito nesta “interpretação” de maneira tão pura e simples, muito menos que estas fotos dos blogs sejam tão diferentes das fotos amareladas, nem produto direto da tecnologia. O que vemos é a representação de uma das necessidades principais do ser humano, enquanto ator da história: a necessidade do registro de uma existência, do estabelecimento de uma permanência. Este registro ter esta ou aquela característica é resultado de um momento histórico-social, que vai transparecer nas roupas, nas ambientações, nos enquadramentos, nas formas de exposição/divulgação, seja a parede da sala ou a rede virtual mundial.