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Livro “São Paulo: novos percursos e atores”

quinta-feira, março 1st, 2012

Transformações radicais na capital paulista
16/02/2012
Por Elton Alisson

Agência FAPESP – A cidade de São Paulo passou por intensas mudanças nas últimas décadas, que transformaram radicalmente suas características sociais e espaciais e tornaram o tecido urbano muito mais heterogêneo e complexo.
A avaliação é dos autores do livro São Paulo: novos percursos e atores (sociedade, cultura e política) publicado pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM). Sediado no Centro Brasileiro de Análises e Planejamento (Cebrap), o CEM é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.

O livro teve origem em uma publicação em espanhol organizada por Lúcio Kowarick e Eduardo Marques, pesquisadores do CEM e professores do Departamento de Ciência Política da USP. Intitulada Miradas cruzadas: sociedad, política y cultura, foi publicada em 2011 como parte de uma série sobre cidades latino-americanas editada no Equador pela Organização Latino-Americana e do Caribe de Cidades Históricas (Olacchi, na sigla em espanhol), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

A incumbência dos editores equatorianos para os pesquisadores brasileiros foi a de organizar um livro que quebrasse tabus da literatura latino-americana sobre cidades brasileiras – especificamente sobre São Paulo –, que perduravam nas últimas quatro décadas.
Segundo Marques, na década de 1970 São Paulo foi objeto de uma literatura muito eloquente, que resultou em um diagnóstico bastante perspicaz da cidade. Porém, como efeito negativo da força dessa literatura sobre a metrópole paulista, nos anos posteriores se repetiu o mesmo discurso sobre a cidade e o debate sobre ela ficou desatualizado.

“Há uma série de processos que já não estão ocorrendo em São Paulo há muito tempo e se continua com a mesma impressão e diagnóstico sobre a cidade, datados dos anos 1970, que já não fazem muito sentido”, disse Marques à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, um dos mitos que havia sobre a cidade na América Latina, mas que já foi incorporado ao debate local, está relacionado aos processos migratórios que se reduziram muito intensamente nas últimas décadas. “Hoje, poucos assuntos relacionados a São Paulo são fortemente impactados pela questão da imigração”, avaliou.

O panorama de São Paulo apresentado pela nova literatura é de uma cidade que cresce pouco, mas continua se expandindo para as periferias, que se tornaram mais heterogêneas, explica Marques.
Por sua vez, o Estado se faz muito mais presente em todas as áreas da cidade, inclusive nas periferias, embora apresentando grandes diferenças de qualidade de suas políticas. E as desigualdades sociais estão se colocando de forma diferente, mais multifacetadas e menos simples de serem compreendidas.

“As desigualdades de acesso às políticas públicas têm se reduzido, embora tenham se recolocado diferenças de qualidade de serviços públicos, e o tecido urbano tenha ficado mais heterogêneo, assumindo uma forma mais complexa do que era anteriormente”, afirmou.
Os autores avaliam que São Paulo melhorou nas últimas décadas do ponto de vista econômico e urbano, em temos de aumento do poder aquisitivo e do acesso da população a serviços públicos, expresso na maior proporção de domicílios servidos por rede de água e esgoto, coleta de lixo, pavimentação e iluminação.
Apontam também que, embora produzidos fora dos padrões técnicos recomendáveis e construídos ao longo de anos, na medida do possível, a moradia popular, o loteamento clandestino e as favelas paulistas apresentam hoje melhor qualidade habitacional do que nas décadas passadas.
Como consequência desses diversos processos contraditórios, os pesquisadores apontam a existência de uma intensa heterogeneidade territorial da cidade, inclusive nos espaços periféricos, assim como a presença de múltiplas formas de segregação e pobreza nas periferias paulistas.

“O principal recado que o livro traz ao atualizar o debate sobre as dinâmicas de São Paulo em suas diversas dimensões, incluindo habitação, cotidiano, trabalho, desigualdades sociais e representações culturais, é que a cidade tem se transformado imensamente, tornando-se mais heterogênea, inclusive nas formas de sua desigualdade”, afirmou Marques.

São Paulo: novos percursos e atores (sociedade, cultura e política)
Organizadores: Lúcio Kowarick e Eduardo Marques
Lançamento: 2011 – Editora 34

Cápsulas para consumo N. 40

quarta-feira, fevereiro 1st, 2012

Sociedade do consumo na era do vazio

Évelin Argenta

 

 O modernismo deixou de ser sinônimo de atualidade já faz tempo. Agora, somos pós-modernos. Pelo menos é a isso que nos levam crer os atuais sintomas de dependência do consumo.  

Embora o ato de consumir serviços ou produtos nunca tenha sido visto como um fenômeno inocente e isolado pelos mais atentos, é atualmente que a força simbólica da ação ganha mais significância. Na sociedade contemporânea, o consumo é altamente estimulado, principalmente pelos meios de comunicação de massa que vendem estilos e hábitos de vida que não deixam a “roda do consumismo” parar de girar. 

A publicidade, na verdade, soube aproveitar os sintomas da pós-modernidade e transformá-los em estímulos ao consumo. Na medida em que nos sentimos cada vez mais distantes de parâmetros concretos e mergulhamos no que podemos explicar como uma espécie de vazio ideológico, encontramos no consumismo a forma de sanarmos nossas angústias. 

Nas vitrines das grandes lojas não encontramos apenas roupas e sapatos. Encontramos um estilo de vida capaz de nos convencer de que seremos individuais se pertencermos a um grupo identificado com determinado estilo. O bem estar proporcionado pelos produtos não está na sua funcionalidade, mas na sua função social. 

Para Baudrillard, o consumo transformou-se na tônica do mundo contemporâneo. No mundo atual há uma superficialização das relações humanas e o vazio gerado por essa sensação é preenchido pela aparente busca da satisfação de necessidades criadas pelo mercado. Quando na realidade o que está em jogo é a busca do bem-estar, do conforto, do prestígio, e da identificação com determinadas imagens e símbolos. 

Em uma sociedade em que o grau de sucesso pessoal é medido pela demonstração de riqueza, o consumo de bens materiais é a forma de se buscar o desejado status. O “ser” foi superado pelo “ter” e em uma escala ainda maior, é preciso “parecer ter”. 

A compra de um bem considerado importante pelo grupo social ao qual o indivíduo pertence produz uma imediata sensação de prazer e realização, e geralmente confere status e reconhecimento a seu proprietário. Entretanto, essa satisfação é fugaz, e à medida que o objeto de desejo deixa de ser novidade, retorna a sensação de vazio interior. Isso gera um círculo vicioso, pois o consumidor continuará buscando a prometida felicidade, e irá em busca da próxima compra, na esperança de que a satisfação seja mais duradoura e mais significativa. 

Além disso, ainda que a necessidade seja suprida em um primeiro momento com a aquisição de determinado bem, logo surgirão outras necessidades de consumo, ou outros produtos serão colocados no mercado, fazendo emergir tais necessidades. Nessa busca constante pelo sucesso – que pressupõe a aquisição de mais e mais produtos e serviços –, bens supérfluos acabam se tornando essenciais. 

A identificação com determinados modelos e imagens também é um dos grandes propulsores da sociedade de consumo, já que os indivíduos buscam preencher o seu vazio interior através de receitas prontas, postas à disposição no mercado de consumo como se fossem verdadeiras mercadorias.

Na sociedade contemporânea, a felicidade muitas vezes é confundida com a idéia de sucesso. Nesse contexto, para que o indivíduo seja considerado “bem-sucedido” é preciso que possua grande capacidade de consumir bens e serviços – ou, ao menos, aparente essa capacidade. Um alto padrão de consumo é buscado a qualquer custo, em detrimento de valores como as relações humanas, o caráter, a integridade, e a preservação do meio ambiente. 

A sociedade do consumo, portanto, foi moldada sobre as necessidades de satisfação do ser humano – muitas delas criadas por essa própria sociedade. A publicidade soube apropriar-se desses desejos e transformá-los em necessidades. Na era pós-moderna do vazio o que preenche nossa alma ainda é o que colore as vitrines e anima as telas dos televisores.

Cápsulas para consumo N.38

quarta-feira, fevereiro 1st, 2012

O consumo serve para sociabilizar

Robson da Silva Braga

Doutorando do PPGCOM/UFRGS

 

As academias de musculação e ginástica de todo o Brasil estão superlotadas de pessoas ávidas por sucesso social. Esses ambientes se assemelham quanto aos aparelhos disponíveis e às atividades físicas oferecidas, mas se diferenciam em outros aspectos. Algumas delas oferecem pacotes de aulas de dança, principalmente as danças de salão. No entanto, nas academias localizadas no Nordeste brasileiro, um gênero musical se destaca entre os demais: o forró eletrônico. Por causa das estratégias massivas de difusão, ele povoa o imaginário coletivo de parte das capitais nordestinas, fazendo-se conhecido mesmo entre os que dizem odiá-lo, por “deturpar” o “verdadeiro ritmo nordestino”: o forró pé-de-serra.

Odiado por uns e exaltado por outros, o forró eletrônico “invadiu” as academias de musculação localizadas das periferias às áreas nobres da cidade de Fortaleza, capital do Ceará. Educadores físicos especializados em dança ensinam jovens que, em sua maioria, estão ali para não fazer feio nas dezenas de festas que a indústria do forró lhes “oferece” semanalmente.

Em julho de 2011, tive a oportunidade de acompanhar duas aulas de forró em uma academia situada numa área de classe média de Fortaleza. A sala de dança funciona como um galpão suspenso sobre o salão que concentra as máquinas de musculação. Para chegar ao local, os alunos sobem por uma escada de ferro e em espiral. Suas calças jeans, seus cabelos bem penteados e as fragrâncias de seus perfumes mostram que aquele ambiente se afasta dos demais espaços daquela academia não apenas fisicamente. Afinal, o contato físico que homens e mulheres estabelecem ali lhes exige o mínimo de zelo com a aparência de seus corpos.

À frente de um imenso espelho que ocupa toda a extensão de uma das paredes da sala, a professora usa um controle remoto para escolher a música e moderar o volume das duas caixas de som, presas à parede. Duas lâmpadas florescentes iluminam o salão e dois ventiladores fazem circular o vento que entra por quatro janelões e é arremessado para o interior da academia. 

“Só vai ficar aí, sentado?”, indaga-me uma das alunas. “É, só vou observar mesmo”, respondo-lhe, mantendo-me imóvel sobre uma cadeira de plástico, em uma das pontas do salão retangular que acomoda oito alunos, uma professora e três monitores. “Eu já sei dançar forró. Na verdade, eu venho pra aula de dança de salão, que é antes dessa, aí fico aqui pra ajudar à professora”, diz a mesma moça, uma arquiteta de 26 anos de idade. Ela dança com vários rapazes que demonstram não saber o “bê-a-bá” do forró. “É dois pra lá e dois pra cá”, explica pacientemente a um dos jovens, que acha graça do seu próprio jeito desengonçado de dançar. “Eu quero aprender pra dançar nas festas. Eu não danço, porque eu tenho vergonha de errar”, admite o administrador de 26 anos de idade.

Outro aluno demonstra muita dificuldade em coordenar os movimentos de suas pernas. A professora o carrega, segurando-o pelas mãos e, mesmo assim, ele não consegue acompanhá-la no ritmo da música. Apesar dos passos desastrados, ele age com tranquilidade e sorri ao perceber que não consegue entrar no compasso.

Apenas dois homens e uma mulher demonstram desenvoltura, arriscando, inclusive, passos mais ousados, como rodopios triplos. “Eu sou sincero, eu tô aqui pra ir pras festas, pra não fazer feio nas festas. Ou melhor, pra pelo menos fazer”, brinca um estudante de 19 anos de idade, que frequenta as aulas há um mês.  

A professora pausa a música para apresentar detalhes técnicos, explicando como o “cavalheiro” deve conduzir a “dama”. Em alguma medida, esse tratamento respeitoso destoa dos sujeitos descritos por algumas (reforço: apenas algumas) letras de forró. Basta lembrar as diversas composições em que o personagem masculino se intitula como “raparigueiro”, expressão que exalta a figura do homem que costuma se relacionar com várias “raparigas”, termo pejorativo usado no Nordeste brasileiro para denominar “prostituta”. Assim, os termos “dama” e “cavalheiro” soam mais como um ideal de respeitabilidade do que o modo como, em alguns casos, as relações de gênero se efetivam nesse universo do forró. A professora pede para que todos dêem as mãos, formando um círculo, para que o compasso de cada um seja formatado pelo compasso do grupo.

Foi na aula de dança que o administrador fez amizade com uma bancária de 28 anos de idade. Ao dançar, ela demonstra leveza, deixando-se ser conduzida por ele. Olhando para os próprios pés, morde os lábios, atenta a cada passo que dá. Mesmo dançando melhor que seu par, não o corrige, apenas conta baixinho “um, dois, três, um, dois, três”.  

Muito simpática e receptiva, a bancária convida a mim e ao administrador para irmos a uma festa de forró eletrônico, que ocorrerá no dia seguinte, no mesmo bairro onde se localiza a academia. A aula de dança aparece, assim, não somente como espaço de aprendizado, mas como mediadora ou, até mesmo, como “antecipadora” das relações sociais que seriam possibilitadas por outros ambientes, a exemplo da festa. É como se o espaço de aprendizado da dança tivesse sua função parcialmente desvirtuada: ao invés de apenas propiciar aos sujeitos uma inserção nas festas de forró, ele antecipa sociabilidades ao congregar homens e mulheres interessados em aprender a dançar o ritmo.

                Desse modo, o forró não se apresenta somente como uma soma de letra e melodia. Em seu redor, todo um universo cultural é construído, não somente pelos grupos empresariais que o produzem, mas, principalmente, pelas pessoas que o consomem em suas vidas cotidianas, produzindo sociabilidades através desse ritmo. A dança é um exemplo claro dessa sociabilidade, afinal o forró propicia a aproximação física e afetiva entre duas pessoas. Parafraseando a antropóloga inglesa Mary Douglas, a academia de dança serve para sociabilizar. 

Bibliografia:

DOUGLAS, Mary e ISHRERWOOD, Baron. O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.

Cápsulas para consumo N. 35

quarta-feira, fevereiro 1st, 2012

Consumo: O supérfluo X O necessário
Taiana Vanzellotti 

Nunca a sociedade esteve tão preocupada com o consumo. Não somente com o quanto cada pessoa tem consumido, mas com o que consome. Devido às discussões a respeito da sustentabilidade e seu papel de agente modificador na vida moderna as preocupações sobre o crescente consumismo tem levantado muitas polêmicas. Isso ocorre por que, como ressalta a antropóloga Lívia Barbosa, o consumo é algo constitutivo da vida social, as pessoas se reproduzem socialmente através dele. Sendo assim, fica quase impossível classificar o que seria um bem supérfluo e o que seria um bem de primeira necessidade, que desencadeia ao consumismo atual. Teoricamente entendemos que um bem de primeira necessidade é aquele essencial para nos manter vivos fisicamente (alimentação, abrigo…), mas a vida humana hoje se constitui como muito além de nossas necessidades básicas corpóreas. Poderíamos viver sem cultura Lazer? Esporte? Questiona-nos Lívia Barbosa, que ressalta justamente que são esses fatores que nos diferenciam dos  animais e nos constitui como seres humanos, ou seja, não podem ser simplesmente abandonados.                                         

Essa relação do que seria básico e o que se torna supérfluo é muito mais complexa do que pensamos, pois tudo que consumimos faz parte do nosso modo de viver. Lívia Barbosa ressalta que hoje o consumo constitui a nossa identidade, tudo que consumimos para nós é de certa forma essencial, pois nos firmamos como pessoas através desses bens (materiais ou não). Ao “julgarmos” os padrões que seriam aceitáveis para os outros consumirem entramos em uma visão etnocêntrica e em uma argumentação que não tem validade para mudar as ações das pessoas. Não se pode medir o consumo dos demais pelos nossos padrões. 

Lembro-me ainda hoje de uma frase que escutei em uma novela da Rede Globo, a italiana repaginada “Esperança” onde um comerciante judeu, interpretado por Tony Ramos aconselha seu genro, aspirante a artista, que ele deveria ou trabalhar em um negócio de roupas ou de comida, por que é isso que daria certo na visão do negociante, “Por que o povo não quer morrer de fome, nem pelado”, explicou ele. Se seguirmos essa lógica de pensamento, o vestuário e a alimentação são os dois produtos mais indispensáveis ao ser humano, no caso de terras tropicais o segundo item nem seria tão indispensável. Então basicamente precisamos consumir alimentos, e só, para não morrermos de fome. Todo o resto é uma invenção humana para dar sentido a nossa existência, pautar nossas necessidades em bens. Mas se essas são consideradas criações humanas por conseqüência se tornam indispensáveis a nossa existência, pois nos constituem (voltando ao ponto anterior). Na visão do comerciante judeu, ávido pelos lucros, a arte do genro de nada serviria para os negócios, pois é algo muito subjetivo, as pessoas não vivem de arte, quem a compra tem “sobrando” para esse “luxo”, já adquiriram a comida, a roupa…

 Se começarmos a cortar tudo que é dispensável nos daremos conta que acabaremos com pouco, muito pouco para dar sentido a nossa existência. Quando os agrupamentos humanos começaram a pensar em viver em comunidades, construir casas, criar animais, começaram a acumular e criar bens que eram indispensáveis a sua sobrevivência. Naquela época não pensavam na questão do estatus que aqueles objetos representavam, a única importância que eles tinham era justamente serem úteis à vida, todos eram de primeira necessidade. Afinal a tigela era necessária para guardar os mantimentos, a navalha para cortar a carne, a lança para se defender, e assim por diante. Hoje grande parte dos aparelhos domésticos que temos são basicamente adaptações de aparelhos que desde os primórdios precisávamos para sobreviver. 

Aquela velha pergunta, “O que você levaria para uma ilha deserta” remete ao básico para sobreviver, mas então por que as respostas variam? Se pensarmos logicamente, a resposta mais adequada seria algo completamente indispensável à sobrevivência em um local isolado: fósforos, comida, uma roupa confortável. Mas sem considerar tão a sério a questão muitos só pensam em livros, TV, outras pessoas, música… por que isso também faz parte da sobrevivência. As pessoas também se alimentam de cultura, de esporte, de diversão, bens incomensuráveis e que desfrutamos na sociedade moderna com facilidade. Pensando antropologicamente qualquer hábito social foi criado, então todos são invenções humanas.                                                                                   

O preocupante não é o que consumimos, mas o quanto consumimos. Logicamente, preciso de um par de tênis, não de cinqüenta, afinal tenho somente dois pés. Mas se o grupo que eu freqüento cada cor de tênis tem um significado especial, talvez eu precise de mais alguns. Essas necessidades são pautadas pelos grupos com os quais convivemos e o valor que damos a eles. Aprender a maneira consciente de consumir exige prática, não é ativado do dia para a noite. Se hoje tanto se critica os países em desenvolvimento a respeito do seu crescente consumismo, deve-se levar em conta que as críticas provém principalmente dos países ricos, com cidadãos “cansados” de tanto consumir, em que suas trajetórias já lhes ensinaram como consumir conscientemente. Essa lição exige paciência, observação. Há poucos anos os produtos de R$1,99 “Made in China” tomavam conta das lojinhas repletas de bugigangas, hoje ninguém mais quer esses objetos em suas casas, descobriram que não servem para nada, mas só depois de se comprar pelo menos algumas dezenas deles descobriu-se isso. Cada vez mais os cidadãos consomem o que é útil, o que realmente é necessário, consomem pensando na qualidade e cada vez menos na quantidade, esse é o melhor caminho. 

Consumir é preciso, sempre foi, mas hoje mais do que nunca. Só precisamos aprender a maneia consciente de unir o “útil ao agradável” e entender que esse é um aprendizado que exige dedicação e tempo. Por que nossos receios na se resumem apenas a “morrer de fome ou pelados”, mas viver sem o que realmente acreditamos ser essencial para nossa existência. 

REFERÊNCIA: 

BARBOSA, Lívia. Consumo: por que a gente é assim. Disponível em: <http://www.cpflcultura.com.br/site/2010/04/23/consumo-por-que-a-gente-e-assim/> acesso em: 22 set. 2011.